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Samuel Quinto

Entrevista: Samuel Quinto

Pianista autodidata de jazz, pop, gospel, música clássica, bem como maestro, produtor musical, compositor, arranjador, educador e escritor brasileiro. Este é Samuel Quinto, que nasceu em Belém, no Pará, mas cresceu em Salvador, na Bahia.

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A partir dos sete anos, desenvolveu seu talento musical em virtude do contato com o piano por meio do gospel, acompanhado na Igreja Batista que frequentara durante a infância com sua família em Salvador.

Foi então que Samuel deu os primeiros passos no piano Fritz Dobbert existente na casa da família, sempre sem qualquer acompanhamento de professores, e desenvolveu suas capacidades de pianista aprendendo também, como autodidata, harmonia, leitura e escrita da música e orquestração, composição musical, fazendo arranjos para o coro da igreja, na qual começou a tocar como pianista aos 12 anos.

Aos 25 anos, decidiu focar-se na música, abandonando o curso de Engenharia Civil na Universidade Federal da Bahia e iniciando sua trajetória de sucesso como pianista do Hotel Marriott, na Costa do Sauipe, na Bahia.

Em 2004, radicou-se na cidade do Porto, em Portugal, onde começa a lecionar piano, na vertente de jazz e latin-jazz, desenvolvendo também carreira em concertos e festivais de jazz, em virtude da formação do “Samuel Quinto Trio”, com atuações em Portugal e Espanha.

Samuel Quinto publicou seu primeiro CD, “Latin Jazz Thrill”, em 2007, em Portugal, com formação em trio, que constituiu o núcleo de seu repertório em vários festivais e concertos durante os anos seguintes em Portugal, Hamburgo, Berlim, Colónia, Heilbronn, Liege e Limoges. Esse trabalho é utilizado na Universidade de Música do Porto (ESMAE), no curso de graduação em Jazz, como material de estudo.

Samuel Quinto

O segundo CD, intitulado “Salsa ‘n Jazz”, contendo oito composições originais de Samuel Quinto, e o standard “Stella by Starlight”, foi lançado em junho de 2009, com um concerto na Cidade do Porto, e concomitante lançamento de sua nova turnê, ainda mais abrangente, que passou pela Bélgica, Alemanha, Portugal, Espanha, França, Luxemburgo, Holanda e Inglaterra.

No final de 2009, fundou o primeiro curso de Jazz Latino na Escola Jazz ao Norte, Porto – primeira escola profissional de Jazz acreditada em Portugal e a única na Península Ibérica a ter o Curso Profissional de Instrumentista em Jazz até então -, além de ser convidado para ser o diretor artístico de um dos mais tradicionais jazz clubes portugueses, o B-flat.

Samuel Quinto tem sido ainda convidado para dirigir workshops na área do Jazz, Jazz Latino, Composição e Arranjo no Brasil e na Europa.

O músico é His Excellence Honorary Consul pela American Diplomatic Mission of International Relations associada das Forças Armadas dos EUA bem como da ONU e Embaixador de Artes, Música e Cultura pela Noble Order for Human Excellence. Está lançando seu livro “Improvisar É Muito Fácil – Jazz de uma maneira descomplicada”, pela Chiado Editora, de Portugal.

Por que resolveu escrever esse livro?

Por dois motivos básicos. Primeiro, por observar a dificuldade que a maioria dos estudantes e músicos tem de entender a didática de alguns livros “clássicos” sobre harmonia e improvisação, que são ótimos e excelente material para pesquisa.

Segundo porque dou aulas há mais de 20 anos e sempre, onde quer que eu vá, percebo as mesmas questões que mostro no livro: Como improvisar? O que é o Jazz? Como faço walking bass? O que devo escutar para começar a entender Jazz/Blues? Porque a colcheia é diferente no Jazz? Como um pianista/tecladista usa a mão esquerda? Quais são o licks/clichês que caracterizam Jazz ou Blues? Qual a diferença entre os dois estilos? Jazz é um ritmo? Porque não entendo nada do que está acontecendo? Improvisar é inventar na hora? Como criar fraseado? O que é swing feeling? Como uso os modos gregos? O que é Shuflle, swing e straight? O baterista precisa saber harmonia? Existe diferença entre cantar Jazz e cantar Blues? O que significa II-V-I? O que é turnaround?… E por aí vão…

Como sua formação te levou para o jazz?

Eu comecei tocando na Igreja Batista onde fui criado e tive contato com alguns ótimos pianistas que me inspiraram bastante. Depois, já como pianista do Hotel Marriott, na Costa do Sauípe, tinha em meu repertório vários tipos de música, entre música brasileira – sendo algumas recriadas de forma original como “Asa Branca” e “Sandália de Prata” -, standards de jazz, de Chick Corea a Cole Porter, passando por Gonzalo Rubalcaba. Aí, descobri Michel Camilo e o jazz-latino e passa a me dedicar a esse estilo.

Por que saiu do Brasil e foi para a Europa?

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Porque queria que minha música alcançasse muitas pessoas. E como tive o incentivo de muitas pessoas – que praticamente me empurraram para a Europa, sempre me dizendo que a cultura musical para o meu gênero era amplamente divulgada por lá -, resolvi partir.

Levou na bagagem algo da música brasileira?

Sim! Fui para Londres, Madrid e depois Porto. Na cidade do Porto pude notar que não existia um trabalho voltado para a vertente Latin Jazz, não havia um disco editado nesse gênero. Então pensei que seria uma ótima oportunidade para minha música usando minha influência latina.

Quais músicos brasileiros mais te influenciaram?

Amilton Godoy, Cesar Camargo Mariano, Tom Jobim, Milton Nascimento e Eliane Elias, para citar somente alguns.



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