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Sistema de Cifras

Como funciona o sistema de cifras?

Quem se dedica ao estudo do piano em algum momento se depara com partituras em que está escrita somente a linha melódica (o que o cantor canta, por exemplo) e, acima dela, uma série de letras, números e sinais a qual se dá o nome de cifra. As origens desse sistema de notação (ou sistema de cifras) por meio de letras remontam à música medieval.

Sistema de Cifras

A mais antiga citação a ele conhecida na tradição musical ocidental aparece no livro didático De institutione musica, do filósofo Boécio, no século VI. Uma forma modificada foi encontrada posteriormente no Dialogus de musica, de Pseudo-Odo, por volta do ano 1.000.

Por meio desse sistema, cada nota musical é representada por uma letra:

A             B             C             D             E             F             G

Lá           Si            Dó          Ré          Mi          Fá           Sol

Ainda hoje o sistema é utilizado na música erudita para nomear tonalidades, principalmente em países de tradição germânica. É comum, por exemplo, encontrar o termo “Mass in B minor” como título da “Missa em Si menor” de J. S. Bach. Mas o uso mais frequente da notação por letras é o sistema de cifras, utilizado amplamente na música popular e fundamental para o jazz.

Atualmente, cifra ou cifragem é um sistema de escrita musical utilizado para indicar os acordes a serem executados por um instrumento musical.

Funcionamento das cifras e sistema de cifras

Qualquer acorde pode ser escrito em partitura, mostrando não apenas suas características harmônicas, mas também sua distribuição exata (no piano, o chamado Voicing). No entanto, essa notação, frequentemente utilizada em música erudita, pode fornecer muita informação e padronizar a execução, dificultando a improvisação. Além disso, a distribuição das notas de um acorde é diferente de um instrumento como o piano para outro, como o violão, por exemplo, por questões físicas ou técnicas. Como resultado dessas limitações, a música popular e o jazz utilizam uma abreviação que descreve as características harmônicas dos acordes, as chamadas cifras.

Entender esse sistema é fácil e, embora existam variações locais e novos símbolos sejam incorporados a cada dia, há uma padronização para que o sistema seja universalmente utilizado e possa descrever da forma mais fiel possível a harmonia proposta. Nele, um acorde é descrito a partir de sua fundamental, com a adição de todos os intervalos que o formam a partir dela:

  • A fundamental (nota que dá origem ao acorde) é representada pelo sistema de letras: A=Lá, B=Si, C=Dó, D=Ré, E=Mi, F=Fá e G=Sol;
  • A terça do acorde pode ser maior ou menor. Geralmente não se representa a terça maior, que fica subentendida no sistema de cifragem. Para descrever a terça menor é utilizada a letra “m” (Cm=Dó menor; Gm=Sol menor etc.);
  • A quinta do acorde pode ser justa, aumentada ou diminuta. A quinta justa, geralmente, não é representada e fica subentendida no sistema de cifragem. A quinta aumentada é representada pelas expressões “aum” ou “aug” ou pelo sinal “+” (Caum, Caug ou C+ = Dó maior com quinta aumentada ou Dó aumentado). A quinta diminuta é representada pelas expressões “-5” ou “b5” (Cm-5 ou Cmb5 = Dé menor com quinta diminuta, também chamado Dó diminuto);
  • A partir daí, as notas presentes no acorde são representadas pelos intervalos em relação à fundamental: “7” para sétima menor, “9” para nona maior, “11”, para décima-primeira justa e assim por diante, de acordo com a tonalidade ao qual o acordo pertence (um acorde C7, por exemplo, pertence às tonalidades de Fá maior ou Fá menor, portanto é constituído pelas notas Dó, Mi, Sol e Sib;
  • Alterações são notadas com os símbolos “#” (elevar um semitom) e “b” (abaixar um semitom);
  • As sétimas maiores são representadas pela letra “M”, a expressão “Maj” ou, ainda, um pequeno triângulo (“r”) como, por exemplo, CMaj7, CM7 ou Cr

Conhecendo essas primeiras regras, é fácil entender o sistema de cifras e, consequentemente, as cifras abaixo:

Sistema de Cifras

Para facilitar ainda mais a escrita, subentende-se que, ao acrescentar uma dissonância a um acorde, as dissonâncias de intervalos menores não precisam ser representadas. Sendo assim, uma cifra C9, por exemplo, é suficiente para representar as notas Dó, Mi, Sol, Sib e Ré, não sendo necessário cifrar C79.

Nos casos em que nem todas as dissonâncias devem estar presentes, cifra-se apenas os intervalos necessários, como, por exemplo, C7#11 (Dó, Mi, Sol, Sib, Fá#) ou C9b13 (Dó, Mi, Sol, Sib, Ré, Láb), com ou sem o uso de parênteses. Também é possível adicionar uma nota a um acorde pelo uso da expressão “add”, como, por exemplo, em Cadd2 (Dó, Mi, Sol, Ré).

Por fim, quando é necessário representar uma inversão do acorde ou uma nota para o baixo que não pertença a ele, utiliza-se uma barra, como, por exemplo, C7/E (Dó maior com sétima e baixo em Mi, ou seja, a primeira inversão do acorde) ou A7/D (lá maior com sétima e baixo em Ré).

Para referência, utilize a tabela abaixo.

Fundamental A=Lá, B=Si, C=Dó, D=Ré, E=Mi, F=Fá e G=Sol
3ª maior  
3ª menor m
5ª justa  
5ª aumentada #5, +5, +, aum, aug
5ª diminuta b5, -5, dim
7ª menor 7
7ª maior Maj7, M7, r7
7ª diminuta 0 (implícitos “m” e “-5”)
9ª maior 9
9ª menor b9
9ª aumentada #9
11ª justa 11
11ª aumentada #11
13ª maior 13
13ª maior b13
2ª maior 2
4ª justa 4
6ª maior 6

Você, estudante de piano, ainda está em período de aprofundamento no estudo do sistema das cifras ou já a domina? Nos conte a sua experiência com o tema nos comentários. E não deixe de acompanhar nosso blog para mais conteúdo sobre pianos!



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