Skip to main content
post-arthur

Arthur Moreira Lima e a democratização da cultura

Nascido em 1940 no Rio de Janeiro, Arthur Moreira Lima iniciou seus estudos de piano aos seis anos. Apenas dois anos depois, dava seu primeiro recital, na Associação Brasileira de Imprensa, com obras de Beethoven, Chopin e Paderevsky. Aos nove, fez seu primeiro concerto profissional, no Teatro da Paz, em Belém do Pará.
Arthur Moreira Lima

Naquele mesmo ano ganhou, pela primeira vez, o concurso para jovens solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira. Foi solista da orquestra e tocou o Concerto em Lá maior, de Mozart. Quando tinha onze anos apresentou-se, novamente no mesmo concurso e ganhou de novo, desta vez tocando o Primeiro Concerto de Beethoven.

Durante quatorze anos, Moreira Lima foi aluno da professora Lúcia Branco, que teve entre seus pupilos os não menos importantes Tom Jobim e Nelson Freire. Em 1959 foi estudar com a professora Marguerite Long, em Paris, e ficou por lá durante três anos. Logo em seguida, conquistou uma bolsa de estudos para o Conservatório Tchaikovsky, em Moscou, um dos mais prestigiados formadores de pianistas do mundo à época. Ali estudou durante cinco anos, após os quais fez sua pós-graduação sendo assistente de cátedra do mestre Rudolf Kehrer.

Em 1965, obteve o segundo lugar no Sétimo Concurso Chopin, o mais importante do mundo, realizado em Varsóvia. Preferido do público, foi aplaudido durante vinte minutos, o que lançou seu nome no círculo internacional. Foi premiado, também, no Concurso de Leeds, na Inglaterra, e no Concurso Tchaikovsky, em Moscou, somando ao seu currículo a rara marca de ter conquistado três dos mais importantes prêmios internacionais.

Desde então, Moreira Lima tem feito turnês em todos os continentes, lotando as principais salas de concertos do mundo. Entre as orquestras e os regentes famosos com quem já se apresentou, estão as Filarmônicas de Leningrado, Moscou, Varsóvia, Sinfônicas de Berlim, Viena, Praga, BBC de Londres, National da França, sob a direção de Kurt Sanderling, KiriIl Kondrashin, Mariss Jansons, Serge Baudo, Jesus Lopez-Cobos, Sir Charles Groves, Vladimir Fedosseyev e Rudolf Barshai.

Arthur Moreira Lima

Moreira Lima é considerado um grande intérprete de compositores românticos como também de modernistas. Gravou a obra integral de Chopin para piano e orquestra, com a Filarmônica de Sófia, e, em Los Angeles, iniciou as gravações da obra completa do compositor para piano solo, consideradas pela crítica norte-americana como “o mais importante registro pianístico do ano”.

Com esses registros, conseguiu importantes prêmios internacionais e tornou-se um dos campeões de venda de música erudita. Na época, o crítico Dominic Gill, do “Financial Times” de Londres, considerado um dos mais rigorosos da Europa, escreveu que Moreira Lima “sabe tudo sobre o piano romântico, fazendo seu instrumento falar”, e a revista La Suisse chamou Moreira Lima “O Pelé do Piano”.

O carioca ainda gravou uma antologia da obra de Villa-Lobos para piano, outra de Radamés Gnattali e ainda uma de Ernesto Nazareth, considerado pela crítica brasileira “um autor popular”.

Também registrou concertos para piano e orquestra de Mozart, Rachmaninoff e Tchaikovsky com três grandes orquestras da Europa: a da Rádio de Moscou, a da Rádio de Varsóvia e a de Câmara de Moscou. Seu disco reunindo as “Valsas de Esquina”, de Francisco Mignone, é considerado um clássico. Também fez a primeira gravação de Brazílio Itiberê, o mais importante autor nascido no Paraná, que até 1955 permanecia inédito e desconhecido.

Arthur Moreira Lima tocando

Arthur Moreira Lima no Brasil

Em 1978, Moreira Lima decidiu trocar a Europa pelo Brasil. “Eu me sentia realizado como pianista, queria me sentir realizado como brasileiro”, afirmou o músico. “Lá fora, as coisas estão feitas, estão prontas. Aqui, não. Eu sentia que no Brasil poderia participar do processo cultural, de maneira ativa. Sabia que num país com uma elite pequena e indefinida como é o Brasil, tentar democratizar as coisas, no meu caso, a música, seria extremamente difícil. Mas sabia também que valia a pena”.

Em 1996, lançou onze álbuns com peças dos principais compositores brasileiros, incluindo um registro histórico dele tocando sob regência de Radamés Gnattali. No ano seguinte, realizou o sonho de gravar obras do argentino Astor Piazzolla transcritas para o piano. (Parágrafo)

O disco foi considerado como “Disco do Mês” pelas revistas Répertoire, na França, e Tipptopp, da Rádio da Suiça alemã. A Gramophone, na Inglaterra, escreveu que Moreira Lima “captou magicamente a fantasia e grandiosidade da música”, e a BBC Music Magazine, que “Moreira Lima é um marcante e eloquente campeão de Piazzolla. Este CD certamente irá converter os céticos”.

No Brasil, Arthur Moreira Lima cumpriu a promessa de democratizar a música, se associando a outros artistas, em sua maioria populares, no resgate da cultura brasileira, entre eles Altamiro Carrilho, Nelson Gonçalves, Elomar, Paulo Moura, Heraldo do Monte e Turibio Santos. Desde 2003 percorre o Brasil com o projeto Piano pela Estrada, que leva a música, por meio de um caminhão-teatro munido de um piano de cauda, aos mais distantes cantos do País.

Arthur Moreira Lima

Gostou de nosso artigo? Continue acompanhando nosso blog para conhecer a trajetória de outros grandes mestres pianistas, como João Carlos Martins e Franz Liszt.



Share article on

Related Post

Um comentário em “Arthur Moreira Lima e a democratização da cultura

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*