Skip to main content
Transcrição para piano ou redução para piano

Transcrição para piano ou redução para piano?

Transcrição para piano ou redução para piano

Em música, o termo transcrição pode ter, basicamente, dois sentidos. O primeiro é o de escrever em partitura o que se ouve, seja melodia, harmonia, improvisação ou mesmo grande obras para piano ou orquestra. Nesse sentido, muitas vezes, podem ocorrer incorreções nessa transcrição, a depender da habilidade do músico e de seu treinamento auditivo.

O outro sentido é o de adaptar uma composição escrita originalmente para um instrumento, voz, conjunto instrumental ou vocal, para outro instrumento ou conjunto musical.

A forma mais simples desse tipo de transcrição é a interpretação de uma partitura não alterada em um instrumento diferente daquele para a qual foi composta, como, por exemplo, a execução de músicas escritas para flauta no violino, ou as interpretações ao piano de obras de J. S. Bach, originalmente escritas para cravo ou órgão.

Execução da transcrição

Por vezes, essas modificações se limitam ao timbre e a técnica de interpretação própria de cada instrumento, não sendo necessário mais nada além da leitura da partitura. Em outros casos, a transcrição exige também a transposição, isto é, alterar a tonalidade da música, seja para facilitar a leitura do instrumentista que vai executá-la ou para adequar a melodia à tessitura do instrumento, ou seja, as notas que ele pode produzir.

Também é comum fazer pequenas “simplificações” em casos de instrumentos que não apresentem a possibilidade de executar as notas originais, mas tendo o cuidado de manter ao máximo a melodia original para que seja plenamente identificável.

Em transcrições para outros grupos instrumentais, de forma geral, podem ser necessárias adaptações mais agressivas, como a simplificação ou supressão da harmonia, no caso de uma obra escrita originalmente harmonizada ser transcrita para um instrumento melódico.

Também pode haver enriquecimentos no caso contrário, em que uma música escrita para um instrumento solo ou melódico é transcrita para um instrumento harmônico ou grupo.

 

Transcrições mais famosas

Muitos compositores fizeram transcrições de suas próprias obras e de outros autores, aproveitando as ideias originais e as adaptando.

A Chaconne da “Segunda Partita” em Ré menor para violino, de J. S. Bach, recebeu inúmeras transcrições para todo tipo de instrumentos, de cordas – como violino, viola, violoncelo, violão, harpa e bandolim – aos instrumentos de sopro – incluindo flauta, clarinete e saxofone – passando pelo órgão e pelo piano.

Também foram escritas transcrições para dois pianos, piano e violino, diversos grupos de música de câmara e até mesmo orquestra sinfônica. A transcrição para piano de Johannes Brahms foi escrita somente para a mão esquerda, para se aproximar da estrutura restritiva do original.

Ele escreveu com entusiasmo: “Um grau de dificuldade semelhante, a forma da técnica, os arpejos – tudo se junta para me fazer sentir um violinista!”

E a redução para piano?

A redução para piano é uma forma particular de transcrição. Nela, uma obra originalmente composta para orquestra ou grupo de instrumentos, como concertos, sinfonias, obras de câmara e óperas, é condensada em duas pautas, para tornar a música executável ao piano.

Esse tipo de transcrição simplifica o trabalho de coros ou solistas, tanto em ensaios quanto em apresentações, pois permite que se execute a obra sem orquestra. E o piano, pela grande tessitura que apresenta e por sua disponibilidade quase obrigatória em todas as salas de estudo e de concerto, se presta bem a esse serviço.

Quando um coro está aprendendo uma obra com partitura para coro e orquestra completa, por exemplo, os ensaios iniciais, geralmente, são feitos com um pianista “repetidor”  tocando uma redução para piano da parte da orquestra.

No passado, as reduções para piano eram uma maneira de divulgar peças originalmente escritas para diversas formações instrumentais e fazer chegar essa música a públicos que não tinham acesso às apresentações em teatros ou gostariam de utilizá-las para uso particular, para apresentá-las ou ouvi-las em casa, antes do advento das gravações.

Também são comuns as reduções para piano ou piano a quatro mãos de grandes obras orquestrais com o intuito de se transformarem em peças de concerto. Franz Liszt, por exemplo, reduziu as nove sinfonias de Beethoven e as óperas de Richard Wagner para seus recitais, além do “Requiem”, de W. A. Mozart.

A grande dificuldade é reproduzir toda a riqueza da partitura orquestral ao mesmo tempo em que se mantém as possibilidades técnicas de execução ao instrumento e as seções importantes da composição musical. Para quem faz esse tipo de redução, é importante saber tanto o que tocar quanto o que omitir.

As melodias principais e as partes do baixo, geralmente, são imprescindíveis, assim como as harmonias e a integridade rítmica. Mas, o fundamental é saber o que soa bem ao piano e o que é tecnicamente possível para o pianista.

E, para os pianistas, sempre vale a pena ouvir a obra completa antes de se aventurar a tocar uma redução, para saber exatamente como ela deve soar e poder executar a parte de cada instrumento com as características mais próximas do original.


A Fritz Dobbert se preocupa com você e sua privacidade

O nosso site usa cookies e outras tecnologias para personalizar a sua experiência e compreender como você e os outros visitantes usam o nosso site.
Ao navegar pelo site, coletaremos tais informações para utilizá-las com estas finalidades. Em caso de dúvidas, acesse nossa Política de Privacidade.

Aceito