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franz schubert

Franz Schubert, o primeiro romântico

Compositor de aproximadamente 600 canções, além de óperas, sinfonias e sonatas, o austríaco é considerado um dos maiores compositores do século 19, marcando a passagem do estilo clássico para o estilo romântico.

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Biografia

Franz Peter Schubert nasceu em Himmelpfortgrund, um pequeno subúrbio de Viena, no dia 31 de janeiro de 1797. Seu pai, Franz Theodor Florian Schubert, tinha reputação como professor, e a sua escola, em Lichtenthal, era bem frequentada. Era também um músico amador razoável e seus filhos mais velhos, Ignaz e Ferdinand, comparavam-se ao pai na habilidade musical.

Aos seis anos, Schubert começou a sua instrução regular, na escola de Lichtenthal. Seu pai o iniciou no violino e seu irmão, Ignaz, ensinou-lhe piano. Em 1805, foi encaminhado a Michael Holzer, o Kapellmeister – mestre de capela – da igreja de Lichtenthal, para desenvolver seus estudos de música. Schubert passou a tocar violino e cantar no coro da paróquia. Com nove anos, estudava órgão, piano, violino, canto e composição. Seu brilhantismo não se manifestava apenas na música: foi um excelente aluno do curso primário, com exceção da matemática.

Em 30 de setembro de 1808, com 11 anos, seu pai o levou a participar no concurso para coristas da Capela Imperial, onde Antonio Salieri, compositor oficial da corte, selecionaria os novos cantores. Possuidor de uma apreciada voz de soprano, obteve um lugar no coro, ganhando também uma bolsa de estudos em Stadtkonvikt, um dos melhores colégios de Viena, escola de jesuítas onde se ensinava música aos candidatos a cantores da Capela Real, além de outras matérias preparatórias para os cursos superiores. Schubert estudou ali até ter quase 17 anos.

Em 1810, com 13 anos, compôs a “Fantasia Para Piano a Quatro Mãos (D. 1)” e, no ano seguinte, seu primeiro lied (canção), intitulado “Hagars Klage”, que fez com que Salieri se tornasse seu professor. Seguiram-se três longas peças vocais (D.5 – D.7), uma “Abertura-quinteto” (D.8), um quarteto de cordas (D.2); uma segunda “Fantasia para Piano” e alguns Lieder (canções).

Pintura de Franz Schubert

Ao fim de 1813 deixou o conservatório e, para evitar o serviço militar, começou a lecionar na escola de seu pai, como professor primário. No dia de sua despedida, a orquestra do Imperial Internato, no qual ele chegara a ser primeiro violino, prestou-lhe homenagem, em audição privada, com a execução da “Primeira Sinfonia, em Ré Maior”, de sua autoria. Durante dois anos Schubert dividiu seu tempo entre a sala de aula e sua paixão pela música e chegou a compor quase duzentas obras, entre elas a ópera “O Pavilhão do Diabo”, baseada numa novela do escritor August Kotzebue, vários quartetos e minuetos, além de alguns lieder e uma obra de grande porte, a “Missa em Fá Maior”, a primeira das seis que escreveria. Ainda em 1814, usando versos de Goethe, em poucos minutos escreveu “Margarida na Roca” – uma obra-prima, considerada a expressão mais alta do lied, e a coleção “Cenas de Fausto”.

Em 1815, ao completar 18 anos, sua produção havia chegou a 203 obras, entre as quais a “Missa n.º 2 em Sol Maior”, a “Segunda Sinfonia em Si Bemol Maior” e a “Terceira Sinfonia em Ré Maior”, quatro óperas e 145 lieder, entre eles “O Canto Noturno do Viajante”, “Rosa Silvestre” e “O Rei dos Elfos”.

Salieri continuaria a fornecer-lhe as bases da sua aprendizagem musical até 1816, ano em que separaram. Mais tarde, Franz Von Schober, um estudante de direito de uma família abastada, que tinha ouvido algumas canções de Schubert, o convidou para ir morar em sua casa, onde poderia compor em paz, sem se preocupar com atividades didáticas. O consentimento de seu pai foi imediato e Schubert se instalou ali, onde permaneceu por oito meses. Por algum tempo ainda tentou contribuir com alguns rendimentos para a sua família, dando aulas de música, mas rapidamente as abandonou, devotando-se inteiramente à composição. “Escrevo todo o dia”, disse um dia a alguém que o visitava, “e quando acabo uma peça, começo outra”.

Entre as obras escritas durante esse período incluem-se três cantatas cerimoniais (para o Jubileu de Salieri, “Prometeu” e “Fundador e diretor”) e duas novas sinfonias: a quarta, em Dó menor (D.417), chamada “Trágica”, e a quinta, em Si bemol (D.485). Compôs também algumas peças de música sacra e mais de cem canções, entre as quais algumas das suas melhores, a partir de textos de Goethe e Schiller. Apesar de grande produção ainda era desconhecido das editoras. Sem conseguir viver de sua música, mergulhou na boemia.

Os seus amigos, no entanto, partilhavam as contas, desde o alojamento até à alimentação. Vogl, um barítono famoso, interpretava seus Lieder nos salões de Viena; Joseph von Gahy, um pianista de renome, tocava as suas sonatas e fantasias; os Sonnleithners, uma rica família burguesa, cujo filho mais velho tinha estado no Conservatório, deu-lhe livre acesso a sua casa e organizava, em sua honra, reuniões musicais a que, rapidamente, se deu o nome de “schubertíades”. 

As composições de Franz Schubert

Durante o ano de 1817, dedicou-se particularmente à composição de Sonatas para piano (D.537, D.557, D.566, D.567, D.570, D.575), sendo também dessa época algumas das suas mais conhecidas composições como “Ganymed” ou “Der Tod und das Mädchen” (A Morte e a Donzela). Escreveu “Adágio e Rondó Concertante, para Piano, Violino, Viola, e Violoncelo”, além de vários lieder e em um ciclo de sonatas, e voltou à orquestração, escrevendo “Sinfonia n.º 6, em Dó Maior”. Sob a influência de Rossini, escreveu as duas “Aberturas Italianas em Ré Maior e em Dó Maior”.

Em 1818, conseguiu o emprego de professor de Maria e Caroline, as duas filhas do conde Esterhazy, em Zseliz, na Hungria. Mas a nostalgia o fez abandonar o emprego e retornar a Viena, onde voltou a compor. Nessa época compôs: “Sonata em Si Bemol Maior para Piano a Quatro Mãos”, a “Missa Fúnebre Alemã” e grande número de danças e marchas, todas para piano.

Entre 1821 e 1828, foram lançadas no mercado 106 obras suas em edições separadas, por onze editoras diferentes. Apesar disso, Schubert não sabia lidar com dinheiro e, sem espírito comercial, recebia pequena retribuição pelo seu trabalho. No início de 1823, acometido pela sífilis, foi internado diversas vezes. A doença, que naquele tempo era considerada incurável, o levou a uma fase de depressão. No ano seguinte, escreveu seu famoso “Quinteto para piano em Lá, Die Forelle, (A Truta) (D.667)” – surpreendendo os seus amigos ao transcrever as partes sem consultar a partitura – e a “Sinfonia em Si Menor” (hoje catalogada como n.º 8), obra que não foi concluída e ficou conhecida como “Inacabada”.

Em 1824 escreveu uma Sonata para piano e “Arpeggione” (D.821), uma tentativa de valorizar o instrumento, hoje adaptada a outros, sendo usualmente tocada com piano e violoncelo.

Os lieder “Die schöne Müllerin” (“A Bela Moleira”) (D.795), e muitas outras das suas melhores canções foram escritas em 1825. No verão desse ano, fez uma viagem à Áustria, durante a qual escreveu “Canções de Sir Walter Scott”, onde se insere a famosa “Ave Maria”, e a “Sonata para piano em Lá menor (D.845, op. 42)”. De 1826 a 1828, Schubert residiu em Viena. Seguem-se as obras mais importantes escritas neste período. No inverno de 1825-1826, escreveu o “Quarteto de cordas em Ré menor”, com as variações sobre o tema “A Morte e a Donzela (D.810)”. Mais tarde, nesse mesmo ano, escreveu o “Quarteto de cordas em Sol maior”, “Rondeau brilhante para piano e violino (D.895, opus 70)”e a “Sonata para Piano em Sol (D.894, opus 78)”, além de três canções baseadas em poemas de Shakespeare, das quais “Ständchen” (“Hark! Hark! the Lark”, mais conhecida como “Serenade”) e “Who is Sylvia?” (D.891) foram escritas no mesmo dia; a primeira numa taberna onde interrompeu o seu passeio da tarde e a última quando estava de volta aos seus aposentos, ao anoitecer.

No dia 26 de março de 1828, data do primeiro aniversário de morte de Beethoven, Schubert organizou um recital com a participação de Vogl. O concerto lhe rendeu uma fortuna, com que, finalmente, pode pagar as dívidas e comprar um piano. O último ano da vida de Schubert foi marcado por uma contínua solicitação dos editores por composições curtas para piano. Surgem nesse período obras como o ciclo de canções “Canto do Cisne”, a “Nona Sinfonia em Dó Maior” e a “Missa em Mi Bemol Maior”. Em setembro de 1828, Schubert mudou-se para a casa de seu irmão Ferdinand, onde completou suas três últimas Sonatas para piano. O compositor morreu de tifo, em Viena, Áustria, no dia 19 de novembro de 1828, com apenas 31 anos.

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