Skip to main content
Walkyria Passos Claro.

Rapsódia inacabada – Walkyria Passos Claro

Walkyria Passos Claro.

Dedicar toda uma vida à música, seja tocando ou lecionando e deixar um legado exemplar: essa parece ter sido a grande inspiração da pianista Walkyria Passos Claro.

Em seus 93 anos de vida, o piano e a música foram seus fiéis companheiros, e a eles a musicista devotou seu amor. Mais do que isso, Walkyria deixou como herança uma importante e inovadora metodologia de sensibilização musical para crianças.

Walkyria nasceu em 1923. Formada pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, foi aluna de Souza Lima e assistente de Magdalena Tagliaferro e de Robert Pace. Lecionou música em vários colégios de São Paulo, foi professora de Iniciação Musical na Faculdade Santa Marcelina e, em 1971, fundou a escola Escala Atividade Musicais, onde atuou até sua morte.

Pianista com apresentações nos principais teatros e salas de concertos do Brasil e do exterior, Walkyria, aos 80 anos, foi a vencedora da terceira edição do Rock Mountain Amateur Piano Competition, com a melhor interpretação de obras barrocas. O concurso, que leva a chancela da Van Cliburn Foundation, foi realizado nos Estados Unidos, em 2003.

Seu grande legado, no entanto, foi a metodologia criada por ela em 1975, pioneira em todo o mundo, a aula de Música para Bebês, apresentada em simpósios e congressos e adotada em várias cidades dos Estados Unidos, Austrália, Áustria e Taiwan, entre outros.

“Ensinar piano é uma coisa, musicalização é outra. Ela fundamental, abre a mente da criança para tudo, dá disciplina. A questão não é apenas ensinar a técnica, mas mostrar o que está por trás da linguagem musical, que tem suas regras como qualquer outra”, declarou.

WALKYRIA-PASSOS-CLARO_1

Walkyria Passos Claro deu aulas para professores da APEP (Associação dos Professores do Ensino Pré-Primário), para que pudessem ensinar música para crianças. Tendo conhecimento do método “Funções Específicas para Alfabetização”, de Ana Maria Popovic, em que as crianças escrevem os exercícios em papel, concluiu que isso poderia ser abstrato e criou exercícios onde as crianças poderiam utilizar o corpo.

Trabalhou como voluntária na favela de Paraisópolis com aulas de musicalização para 320 crianças e, em 2011, aos 88 anos de idade, lançou o livro “Música: a Alegria de Ensinar e Aprender”, resultado de sua experiência metodológica de musicalização infantil, com exercícios, músicas, instruções e sugestões de como musicalizar bebês de 8 meses até crianças de 2 anos.

“Este trabalho é através dos sentidos: visual, auditivo e sinestésico, sem decoração de conceitos, através da vivência dos fatos musicais e do modo como a criança gosta, brincando e usando o corpo. Tudo o que a criança faz com o corpo, ela aprende melhor e grava para o resto da vida”.

Referência como pedagoga, Walkyria nunca deixou de estudar e se apresentar ao piano, seja em concertos ou recitais, assim como trocando experiências e tocando com jovens de todas as idades.

Sua última apresentação foi em um domingo, dia 20 de novembro de 2016, em um concerto na Igreja Batista da Pompeia, em São Paulo. Depois de um recital inspirado, durante a execução da Rapsódia Hungara Nº 2, de Liszt, última peça do programa, Walkyria, aos 93 anos, teve um mal súbito e veio a falecer.

Apesar de toda a fama e consideração que angariou durante sua vida, a pianista e pedagoga recebeu apenas a lembrança de familiares e amigos.

Como disse Bretold Brecht: “há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.

 



Share article on

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*