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Pedal piano

O pedal tonal

Os pianos podem ter dois ou três pedais, chamados comumente de sustain ou damper (o da direita) e una corda ou soft (o da esquerda). O terceiro pedal existente em alguns instrumentos, situado no meio dos outros dois, possui funções bem diferentes dependendo do modelo.
Pedais piano

Nos pianos verticais, o uso mais comum desse pedal é o de abafamento. Seu acionamento resulta na colocação de uma manta de feltro ou espuma entre os martelos e as cordas, amortecendo a ação deles, o que causa uma forte atenuação na sonoridade. Nos modelos topo de linha – mais notadamente os de cauda e, raramente, nos verticais -, o pedal central possui a função “tonal”, também chamada “sostenuto”.

Último pedal a ser adicionado ao piano moderno, o sostenuto foi inspirado pelos franceses. O resultado do acionamento dele é similar ao do pedal de sustain, mas age, apenas, sobre as teclas que estejam abaixadas no momento em que é pressionado. Esse complexo mecanismo permite que algumas notas sejam prolongadas enquanto outras não sofram qualquer alteração.

Dependendo da marca e do modelo do instrumento, porém, podem existir alterações na forma como ele trabalha. Em muitos modelos, o pedal esquerdo funciona de forma idêntica ao pedal de sustain, mas apenas na região grave do teclado. Sendo assim, o pianista pode sustentar algumas notas, enquanto outras permanecem inalteradas.

O sostenuto foi apresentado pela primeira vez na exposição industrial francesa de 1844, realizada em Paris, pela empresa Boisselot & Fils, de Marselha. Os construtores franceses de piano Alexandre François Debain e Claude Montal desenvolveram mecanismos de sostenuto em 1860 e 1862, respectivamente, mas esses esforços inovadores não convenceram imediatamente outros construtores de piano a adotarem seu uso.

Em 1874, Albert Steinway aperfeiçoou e patenteou o pedal sostenuto, que começou a ser introduzido nos pianos da marca. Outros construtores americanos de pianos rapidamente adotaram a “novidade” em seus projetos de novos instrumentos, mas os fabricantes europeus foram muito mais lentos e apenas recentemente o pedal sostenuto tornou-se padrão em instrumentos topo de linha.

Pedal Tonal

 

Apesar de amplamente utilizado, o termo “sostenuto” é motivo de discussão entre pianistas e fabricantes. “Sostenuto”, em italiano, significa “sustentado”, o que poderia supor que esse pedal realizasse a mesma função que o sustain ou damper. Originalmente, o sostenuto foi chamado de “tom-sustaining”, o que mais precisamente descreve o que pedal realiza: a sustentação de uma nota ou grupo de notas.

Esse pedal faz que os abafadores, levantados pela ação individual das teclas, permaneçam acionados independentemente do pedal direito. No entanto, ao contrário do pedal direito, é necessário que as notas sejam tocadas antes do pedal sostenuto ser acionado.

O pedal sostenuto mantém afastados das cordas apenas os abafadores que já estavam assim no momento em que foi acionado. Portanto, se um pianista toca uma nota ou acorde e aciona o pedal, mesmo que ele solte as notas elas continuarão soando, até que o pedal seja solto.

Apesar disso, quaisquer notas tocadas depois terão as cordas abafadas normalmente quando liberadas pelos dedos, permitindo até mesmo staccatos. Essa é a principal diferença entre essa função e a de sustain ou damper, em que as notas vão sendo somadas ao efeito à medida que são tocadas.

Dependendo do mecanismo, é possível utilizar o pedal de sustain após o acionamento do sostenuto, o que permite ao pianista pedalizar normalmente mantendo certas notas sustentadas.

O uso do pedal tonal

Pedal Tonal ou Sustenuto

Por conta de sua invenção um tanto quanto tardia em relação ao desenvolvimento de outros recursos do piano, o tonal é o menos utilizado dos pedais do piano. Embora menos frequentemente especificada por compositores ou editores, a sustentação seletiva de notas é particularmente útil para pianistas interpretando transcrições de música escritas originalmente para órgão, como algumas obras de Bach e de outros compositores barrocos.

Algumas obras do período romântico também permitem – ou exigem – o uso do pedal sostenuto, como alguns pontos da “Sonata ao Luar”, de Beethoven, ou do “Sonho de Amor (Liebestraume) No. 3”, de Liszt. As obras de Scriabin para a mão esquerda também se mostram ótimos exemplos do uso desse pedal.

Alguns pianistas usam o pedal sostenuto a seu próprio critério para facilitar passagens, em particular nas obras de Debussy e Ravel, mas também em outros lugares. A Novelette in E minor III (Sur un thème de Manuel de Falla), de Francis Poulenc, é um bom exemplo disso. O autor observa, no início da peça, que a interpretação deve ser “banhada com pedais”, e o uso do pedal tonal pode ser um ótimo auxílio para a interpretação.

Novelette

Obviamente, o pedal tonal é mais requisitado em peças de compositores mais modernos, Como Samuel Barber, Aaron Copland, Giorgi Ligeti e Béla Bartók, pela maior tessitura exigida por eles e na busca por sonoridades mais complexas.

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