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Tom Jobim, o maestro soberano

Considerado um dos maiores nomes da música de todos os tempos e reconhecido mundialmente pela qualidade de sua produção, Tom Jobim é ícone de nosso estilo mais popular, a bossa nova, movimento musical com influências jazzísticas que introduziu inovações melódicas e harmônicas no samba.

Pianista, compositor, arranjador, cantor e violonista, Jobim é praticamente uma unanimidade entre críticos e público em termos de sofisticação musical e é um dos nomes que melhor representa a música brasileira na segunda metade do século 20.

Tom Jobim

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1927, mas logo sua família se mudou para o famoso bairro de Ipanema. Seu interesse pela música surgiu por influência de dois tios violonistas, um erudito, outro popular.

Aos oito anos ficou órfão de pai. Seu padrasto, Celso Frota Pessoa, foi quem lhe deu um piano. Aos 14 anos, já tocava algumas músicas de ouvido, no violão e na gaita, quando teve suas primeiras aulas de piano com o professor alemão Hans Joachim Koellreutter.

Em 1946, alternava o primeiro ano da faculdade de arquitetura com o trabalho de pianista em boates de Copacabana e Ipanema, mas logo abandonou os estudos em prol da música.

Aperfeiçoou-se no piano com Lúcia Branco e Tomás Terán, além de estudar orquestração, harmonia e composição, apaixonando-se pela obra de Villa-Lobos, compositor que teve oportunidade de conhecer. Em outubro de 1949, casou-se com Thereza Otero Hermanny, com quem teve dois filhos, Paulo e Elizabeth.

Em 1952, foi contratado pela gravadora Continental com a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical e de acompanhar artistas ao piano.

Em 1954, auxiliado pelo maestro Radamés Gnatalli, começou a fazer os primeiros arranjos. Datam dessa época as primeiras composições gravadas: “Pensando em Você” e “Faz Uma Semana”, por Ernâni Filho (1920), e “Incerteza”, parceria com Newton Mendonça, por Mauricy Moura (1926-1977).

“Tereza da Praia”, parceria com Billy Blanco, gravada por Lúcio Alves e Dick Farney pela Continental, foi o primeiro sucesso. Em 1955, regeu na Rádio Nacional sua primeira composição sinfônica, Lenda.

Depois disso, participou de gravações e compôs, com Billy Blanco, a Sinfonia do Rio de Janeiro, além de outras parcerias com a cantora e compositora Dolores Duran (“Se é por Falta de Adeus”, “Por Causa de Você”).

No ano seguinte, iniciou a duradoura parceria com Vinicius de Moraes, orquestrando, regendo e compondo parte da trilha da peça Orfeu da Conceição. Dessa peça, fez bastante sucesso a antológica canção “Se Todos Fossem Iguais a Você”.

Tom Jobim e a bossa nova

Em 1958, Tom Jobim – na época diretor artístico da gravadora Odeon – produziu o LP Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso. Além da faixa-título, parceria dele com Vinicius de Moraes, o disco traz duas composições de Jobim que registraram pela primeira vez a batida característica do violão de João Gilberto: “Chega de Saudade” e “Outra Vez”. A orquestração é considerada o marco inaugural da bossa nova, pela originalidade das melodias e harmonias.

A consolidação do novo estilo musical veio com o 78 RPM Chega de Saudade, lançado em 1959 por João Gilberto, com arranjos e direção musical de Jobim. No ano seguinte, o baiano lançou o LP Chega de Saudade que, além da música título, trazia “Desafinado” e “Samba de Uma Nota Só”, entre outras.

O álbum fez tanto sucesso que a gravadora Odeon teve que produzir várias reedições. O disco seguinte do violonista e cantor, O Amor, o Sorriso e a Flor, traz diversas canções de Tom Jobim, entre elas “Samba de Uma Nota Só”. No mesmo ano foi a vez de Sílvia Telles gravar Amor de Gente Moça, um disco com 12 canções de Jobim, entre elas “Só em Teus Braços”, “Dindi” e “A Felicidade”. Logo, a bossa nova se transformou em sucesso nacional.

Em 1960, por ocasião da inauguração da capital federal, Jobim compôs Brasília, Sinfonia da Alvorada. No mesmo ano, Orphée Noir, versão de Orfeu da Conceição do cineasta Marcel Camus, ganhou a palma de ouro em Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.

A fama internacional de Tom Jobim se iniciou em 1962, quando o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd gravaram o LP Jazz Samba, que permaneceu por diversas semanas na lista dos mais vendidos.

Um dos destaques do álbum era a faixa “Desafinado”, que ganhou inúmeras versões e se tornou cult entre os músicos de jazz. O sucesso levou a gravadora Audio Fidelity, com apoio do Itamaraty, a promover um concerto de bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York.

A apresentação começou a ser planejada meses antes do show, quando o executivo da gravadora, Sidney Frey, veio ao Brasil e conheceu pessoalmente o famoso Beco das Garrafas e os principais artistas que por lá se apresentavam.

Sua pretensão inicial era apresentar apenas Tom Jobim e João Gilberto, mas mudou de ideia e reuniu um time bem mais representativo do movimento: além de Tom Jobim e João Gilberto, Luiz Bonfá, Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Milton Banana, Sérgio Ricardo, Normando Santos, Dom Um Romão, Agostinho dos Santos, Carmen Santos, Bola Sete, Ana Lúcia e vários outros.

A primeira consequência imediata desse show foi o fato de muitos destes músicos americanos gravarem o repertório da bossa nova, o que fez que o gênero ganhasse o mundo e rompesse as fronteiras territoriais.  A segunda e mais marcante, determinou que alguns dos músicos brasileiros trocassem o Brasil pelos Estados Unidos. Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes, Tom Jobim e João Gilberto abriram mercado por lá imediatamente após aquela apresentação.

Garota de Ipanema

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Vivendo entre Brasil e Estados Unidos, o pianista compôs uma grande quantidade de clássicos entre os anos de 1962 e 1963: “Samba do Avião”, “Só Danço Samba”, “Ela é Carioca”, “O Morro Não Tem Vez”, “Inútil Paisagem” e “Vivo Sonhando”, entre outros.

O ano de 1962 também marca a composição daquele que seria considerado o maior sucesso de Tom Jobim e, possivelmente, a canção brasileira mais executada no exterior: “Garota de Ipanema”, parceria com Vinicius de Moraes.

A música chegou a figurar entre as dez mais executadas em todo o mundo e foi gravada por grandes nomes, entre eles, Frank Sinatra. Rendeu ao compositor um Grammy de Gravação do Ano na versão de Astrud Gilberto e Stan Getz em 1965.

Nos Estados Unidos, Jobim gravou seu primeiro álbum solo, The Composer of Desafinado Plays, em 1963, seguido de mais sete, incluindo Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, de 1967, em que toca violão por insistência dos produtores, que queriam uma personalidade mais “latina”.

Com arranjos de Claus Ogerman, o disco incluiu versões em inglês das canções de algumas canções de Jobim (“The Girl From Ipanema”, “How Insensitive”, “Dindi”, “Quiet Night of Quiet Stars”) e composições americanas, como “I Concentrate On You”, de Cole Porter. Também participou de espetáculos e fundou sua própria editora, a Corcovado Music.

Depois de lançar o disco Wave, no fim da década de 1960 (com a faixa-título, “Triste”, e “Lamento”, entre outras instrumentais), conquistou o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção com a música “Sabiá”, parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele, desbancando “Pra não Dizer que não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, favorita do público pela confrontação à ditadura política que o País enfrentava: parte da plateia vaiou ostensivamente a divulgação do resultado e interpretação da vencedora, para constrangimento de todos.

Nos anos seguintes, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo, mesclando harmonias do jazz e do erudito a elementos tipicamente brasileiros. Lançou, na década de 1970, os álbuns Matita Perê e Urubu, que trazem alguns grandes sucessos como “Águas de Março”, “Lígia” e “Correnteza”, entre outros.

É dessa época, também, a gravação do clássico álbum Elis e Tom, com arranjos de Cesar Camargo Mariano, que abriu as portas para os discos Miúcha e Tom Jobim e Edu e Tom, com Edu Lobo.

A partir de então, Jobim passou a se dedicar cada vez mais ao cinema e à TV, compondo, entre outras, a trilha original do filme Gabriela, Cravo e Canela, de Bruno Barreto, em 1983, e da minissérie O Tempo e o Vento, em 1985, além de atender a encomendas de canções para telenovelas.

Nesse mesmo ano, voltou ao Carnegie Hall abrindo uma longa temporada de shows pelo Brasil e pela Europa, culminando com uma apresentação no Avery Fisher Hall, de Nova York. Em abril de 1986, casou-se com a fotógrafa Ana Beatriz Lontra, com quem teve dois filhos, João Francisco e Maria Luiza.

Em 1987, lançou Passarim que, além da faixa-título, trazia outras canções de sucesso como “Gabriela”, “Luiza”, “Anos Dourados” (com Chico Buarque), “Chansong” e “Borzeguim”.

Seu último álbum, Antônio Brasileiro, foi lançado em 1994, pouco antes da sua morte, em 8 de dezembro, de parada cardíaca, quando estava se recuperando de um câncer no Hospital Mount Sinai, em Nova York.

A música de Tom Jobim

a música de Tom Jobim

Mesclando elementos de jazz, música erudita e popular em suas composições, Tom Jobim deixava transparecer a influência de grandes nomes da música em suas criações, tanto nas peças de cunho popular quanto nas orquestrais, como A Sinfonia da Alvorada.

Admirador e influenciado por Villa-Lobos e Ary Barroso, Jobim também estudou de modo aprofundado as obras de eruditos como Frederic Chopin, Claude Debussy e Maurice Ravel, além dos brasileiros Radamés Gnatalli e Guerra Peixe.

A lista de composições de destaque de Tom Jobim é praticamente a relação de grandes clássicos de nossa música: “Chega de Saudade”, “Água de Beber”, “Desafinado”, “Samba de Uma Nota Só”, “A Felicidade”, “Insensatez”, “Garota de Ipanema”, “Fotografia”,  “Triste”, “Wave”,  “Águas de Março”, “Luísa”, “Corcovado”, “Dindi”, “Retrato em Branco e Preto”, “Samba do Avião”, “Anos Dourados”, “Eu te Amo”, “Meditação”, “Só Tinha de Ser com Você”, “Sabiá”, “Eu sei que vou te amar”, “Falando de amor”, “Ela é carioca” e muitas outras, que definiram os rumos de nossa música e servem de base para seu aprendizado.

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