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Roberto Szidon

Roberto Szidon: o prolífico artista

Muitos são os pianistas brasileiros que têm lugar cativo entre os principais nomes da música mundial. Grande parte deles, desconhecidos do público de seu próprio País, são admirados por onde quer que se apresentem e figuram no panteão dos deuses do instrumento. Poucos, no entanto, tiveram uma carreira fonográfica tão bem-sucedida quanto o gaúcho Roberto Szidon.

Roberto Szidon

Embora nascido no Brasil, em Porto Alegre, em 21 de setembro de 1941, Roberto Szidon é de ascendência húngara. Apesar de ser uma criança extraordinariamente talentosa, sua família evitou a vida de prodígio.

Com 4 anos e meio, sentou-se ao piano de seu irmão e tocou uma valsa de Chopin, cujo opus não se lembrava, com todas as notas certas e no andamento correto. Alegou não saber como conseguiu. Seu primeiro concerto foi aos 9 anos de idade em sua cidade natal.

Aluno de Natho Henn e Ilse Warncke, aos 11 anos foi para os Estados Unidos tocar para Claudio Arrau, mas ficou lá apenas três meses. Voltou seis anos mais tarde, tomando lições com Ilona Kabos e o próprio Arrau, em Nova York e, em seguida, com Arthur Rubinstein, na Espanha. Estudou composição com Karl Faust e recebeu ajuda e incentivos de Felicja Blumental.

Antes de ser pianista, pensou em ser médico e cursou durante cinco anos a faculdade, mas nunca deixou a música, tocando para si mesmo ou dando alguns concertos em Porto Alegre. Nos anos 60, após completar 20 anos de idade, gravou seu primeiro disco com obras de Villa-Lobos e sua interpretação de peças como “Rudepoema” foi considerada antológica, pelo que, em 1965, recebeu um prêmio no IV Centenário do Rio de Janeiro.

Roberto Szidon

Dois anos mais tarde, foi para a Alemanha, onde participou de dezenas de gravações para o selo Deutsche Grammophon, a mais importante gravadora de música erudita do mundo.

Percorreu os Estados Unidos, a América do Sul e a Europa como recitalista e como solista com muitas orquestras. Em sua estreia, em Londres, interpretou o Concerto para piano nº 3 de Rachmaninov em Ré menor Op. 30 com a London Philharmonic Orchestra e regência de Jerzy Semkov, no Royal Festival Hall. (Parágrafo)

No final da década de 1960, se dedicou às sonatas para piano de Alexander Scriabin e começou a se concentrar na música contemporânea e do século XX. Gravou a Sonata “Concord”, de Charles Ives, e, em 1980, em Londres, estreou a Sonatina de Henze para Violino e Piano, com a violinista Jenni Abel. Três anos depois, foi o solista em uma apresentação do Concerto para piano de Loris Tjeknavorian, em Brighton, com a London Philharmonic Orchestra e regência do compositor.

Carreira consolidada

Roberto Szidon

Roberto Szidon tocou com mais de cinquenta orquestras renomadas, incluindo a Orchestre de la Suisse Romande, na Suíça; a Filarmônica de Londres, na Inglaterra; a Orquestra de Cleveland, nos Estados Unidos; e a Sinfônica de Viena, na Áustria. Em 1977, completou uma aclamada turnê pela África do Sul. Também foi solista na première do Concerto para Piano nº 4, de Camargo Guarnieri, em Porto Alegre, em 6 de setembro de 1972.

Lançou cerca de 40 LPs em mais de 20 países, para selos como Angel, Relais, Deutsche Grammophon, WEA, Kuarup, Guilde du Disque, Harmonia Mundi, Nonesuch, BASF e outros. Entre seus principais registros fonográficos estão as sonatas de Charles Ives, Prokofieff, Rachmaninoff e Scriabin (deste último, a única gravação integral existente), os concertos de Gershwin e MacDowell (com a Filarmônica de Londres), as séries completas das rapsódias de Liszt e dos Scherzi e Impromptus de Chopin, e peças de Ravel, Brahms, Tchaikovsky e Smetana. De brasileiros, gravou oito LPs de Villa-Lobos e dois de Nazareth, outros dedicados a Marlos Nobre (obra completa para piano solo), Almeida Prado (“Cartas Celestes”), Alberto Nepomuceno e Radamés Gnattali, além da antologia “Cem Anos de Piano Brasileiro”.

Outro item que marca seu legado de forma decisiva é a gravação das 19 “Rapsódias Húngaras”, de Franz Liszt, que nunca saiu de catálogo, relançadas em diversos formatos desde a aparição inicial, nos tempos do LP, em 1973, considerada uma das referências de excelência da obra, ao lado dos registros do mítico György Cziffra (1921-1994).

Além do “Deutsche Schallplattenpreis” de 1977, Szidon teve uma de suas principais interpretações — a série completa das Sonatas de Bartok para violino e piano, com Jenny Abel — incluída pela revista alemã Fono Forum entre “as 33 melhores gravações do Século”. Como camerista, Szidon acompanhou o barítono Thomas Quasthoff em Dichterliebe, Liederkreis Op. 39 e outros Lieder de Robert Schumann, um de seus últimos trabalhos.

Roberto Szidon faleceu em 21 de dezembro de 2011, em Düsseldorf, Alemanha, vítima de um ataque cardíaco, com a idade de 70 anos.

 

 



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