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Artigo37-2

Beringer – Exercícios Técnicos Diários

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O método de técnica pianística de Oscar Beringer, chamado Exercícios Técnicos Diários, é igualmente amado e odiado por estudantes e pianistas. Resultado da experiência do autor como estudante e pianista, o livro é uma das opções – talvez a mais popular – de continuidade de estudos após o domínio dos exercícios de Hanon.

Considerado superior em termos de dificuldade e resultados em comparação ao método de Hanon, o livro de Beringer, ao contrário daquele, oferece ao estudante a oportunidade de trabalhar sobre teclas brancas e pretas.

Dividido em 10 capítulos, o compêndio traz estudos para os cinco dedos com movimento progressivo da mão, exercícios de escalas, exercícios de acordes, mudança de dedos sobre uma mesma nota, estudos em terças, sextas e acordes, estudos de oitavas e acordes, exercícios de extensão, para cruzamento e mudança de mãos e polirritmia, além de um apêndice incluindo escalas e arpejos com digitação usual.

Em suma, praticamente todas as dificuldades que um pianista pode encontrar na execução das peças do repertório erudito tradicional.

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Isso não significa que o livro seja indicado apenas a quem se dedica à música clássica: o domínio das tonalidades, por conta da alternância entre elas, também é extremamente interessante àqueles que se dedicam à música popular, ao jazz ou a quaisquer outros gêneros e estilos.

OscarBeringer

Oscar Beringer foi um destacado pianista nascido em Baden, na Alemanha, em 1844. Em 1849, seu pai foi obrigado a voar para a Inglaterra como refugiado político, onde viveu em circunstâncias precárias. Por conta disso, a única educação musical que Beringer recebeu, até os 19 anos, foi de uma irmã mais velha.

Durante os anos de 1859 e 1860, deu várias séries de recitais de piano no Crystal Palace, no Hyde Park, em Londres, e em 1861 fez sua primeira aparição no Saturday Concerts, série de famosos concertos realizados ali.

Reconhecendo a necessidade de um treinamento sistemático, Beringer estudou em Leipzig com Moscheles, Richter, Reinecke e Plaidy, entre outros. De 1864 a 1866, continuou seus estudos, desta vez em Berlim, com Tausig, Ehlert e Weitzmann, todos destacados pianistas e professores de sua época.

Em 1869, foi nomeado professor da “Tausig’s ‘Schule des Höheren Clavierspiels”, em Berlim, mas voltou à Inglaterra dois anos depois, onde repetidamente tocou com grande sucesso no Crystal Palace Saturday Concerts e na Musical Union.

Em janeiro de 1872, Beringer se apresentou no Gewandhaus Concerts, em Leipzig. Em seu retorno à Inglaterra, no ano seguinte, fundou em Londres, a “Academy for the Higher Development of Pianoforte Playing” (Academia para o Desenvolvimento Superior da Execução Pianística), uma instituição que confirmou plenamente a promessa de seu nome.

Em 14 de outubro de 1882, tocou o segundo concerto para piano de Brahms em sua primeira apresentação na Inglaterra.

Além do famoso método que leva seu nome, Beringer deixou outras composições incluindo um Andante e Allegro para piano e orquestra (apresentado, em 1880, no Saturday Concerts e no Mr. Cowen’s Orchestral Concerts), Sonatinas para piano e várias canções.

Beringer – Exercícios Técnicos Diários

 

Encore: C:UsersniltoDocumentsEDITOR

O capítulo mais famoso e mais utilizado do método de Beringer é o primeiro, dedicado aos estudos para os cinco dedos.

 

Encore: C:UsersniltoDocumentsEDITOR

O próprio autor aconselha o estudo dos exercícios dessa primeira seção com três tipos de toque: legato, com staccato de punho e com staccato de dedos. De execução fácil para pianistas formados, essas três formas de estudo do exercício podem ser extremamente cansativas para o estudante, causando tensionamento de músculos e, além de muito cansaço, dor. Uma sugestão para o domínio desses exercícios é seguir os mesmos procedimentos adotados em relação ao estudo dos exercícios de Hanon:

  • Sempre toque com as mãos arredondadas e evite que o 5º dedo “deite” sobre as teclas. Todos os dedos devem tocar as teclas com a polpa, com exceção do polegar, que trabalha lateralmente. Evite também que o pulso descanse sobre a régua inferior do teclado;
  • Leia o exercício lentamente, verificando a mecânica da fórmula proposta (qual dedo vem depois de qual dedo?). Se preciso for, estude as mãos separadamente;
  • Utilize um metrônomo para o estudo. Inicie em 60 BPM e pratique até que se sinta confortável e todas as notas estejam sendo tocadas de maneira homogênea por todos os dedos;
  • Aumente a velocidade do metrônomo para 68 BPM e repita o processo. Quando estiver seguro, aumente gradativamente a velocidade do metrônomo, de 4 em 4 BPM (92, 96, 100, 104 etc.) a cada execução. Se não conseguir realizar o exercício em determinada velocidade – seja por dor, cansaço ou erros de dedilhado -, pare e descanse. Toque uma música mais leve, ou algo que já domine, e retome o exercício no dia seguinte, descansado, iniciando o processo novamente, no mesmo exercício, a partir de 60 BPM. Se as orientações foram seguidas corretamente, o estudante notará que conseguirá, a cada dia, atingir maiores velocidades, sem dor ou cansaço. Mas lembre-se: para correr uma maratona, um atleta deve começar com o primeiro passo até que consiga completar o percurso. Não vale começar do quilômetro 40!

Além dessas orientações, vale a pena lembrar que, diferentemente de Hanon, Beringer propõe o uso de teclas pretas e a passagem por diversas tonalidades. O uso do 1º dedo em teclas pretas (evitado ao máximo por algumas escolas) é comum e seu posicionamento deve ser analisado com cautela: não se deve tocar com a polpa, mas com a lateral do dedo, em movimento de alavanca descendente, paralelo à ação dos outros dedos.

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