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A estrutura do concerto para piano e os concertos mais conhecidos

A estrutura do concerto para piano e os concertos mais conhecidos

É comum se dizer “vou assistir a um concerto” quando se vai a uma apresentação de orquestra, assim como quando o programa é um show de rock. “Concerto” tornou-se um termo genérico por causa do termo em inglês “concert”, que significa performance musical ao vivo em frente a uma plateia.

Embora esse conceito venha sendo expandido, “concerto”, na música erudita, é uma composição escrita para um ou mais instrumentos solistas acompanhados por uma orquestra ou conjunto instrumental.

Dependendo da época em que foi composto, as partes da orquestra de um concerto correspondem a pouco mais que um tecido instrumental harmônico sobre o qual o solista exibe sua técnica e seu domínio interpretativo.

A estrutura do concerto para piano e os concertos mais conhecidos

Com o passar do tempo, os compositores passaram a exigir dos instrumentistas cada vez mais virtuosidade e rechearam as obras de dificuldades técnicas, aumentando também, consideravelmente, o papel da orquestra, com instrumentos e seções introduzindo temas e construindo diálogos entre o grupo e o solista.

Os concertos para piano

Apesar de concertos para teclado serem comuns desde a era barroca, com vários exemplos escritos por J. S. Bach e seus contemporâneos, o formato tradicional do concerto para piano e orquestra começou a surgir a partir da forma sonata, durante o período do classicismo, atingindo seu auge no período romântico.

Uma das características dos concertos desses períodos é a existência da chamada Cadenza, uma parte da obra em que a orquestra para de tocar deixando o solista sozinho, sem pulsação regular, para que ele discorra musicalmente sobre temas apresentados anteriormente. (Parágrafo)

Por vezes, o compositor do concerto escreve a Cadenza, cabendo ao solista a responsabilidade de executá-la. Em outras ocasiões, a Cadenza deve ser improvisada pelo pianista, de acordo com o material escrito pelo compositor. É comum, também, existirem várias Cadenzas diferentes para um mesmo concerto e o pianista escolher aquela que mais lhe agrada, ou mesmo escrever uma.

A Cadenza (também chamada cadência) é, geralmente, a parte mais elaborada e virtuosística que o instrumento solo toca durante toda a peça, e ocorre, normalmente, perto do fim do primeiro movimento do concerto, embora possa ser em qualquer outro ponto. Ao término da execução da Cadenza, a orquestra volta a tocar e, geralmente, termina o movimento por conta própria, ou, menos frequentemente, com o solista.

A estrutura do concerto para piano e os concertos mais conhecidos

Obras de alto virtuosismo, os concertos passaram a ser a mais completa e complexa expressão do domínio técnico e interpretativo do pianista, apreciados por equilibrarem a imponência e o colorido da orquestra com o brilho e o virtuosismo do solista.

Além dos concertos para piano e orquestra, existem vários outros tipos, como concertos para dois, três e quatro pianos, ou para piano e outros instrumentos (como violino ou violoncelo, e orquestra) e até mesmo concertos para mão esquerda e orquestra (como o composto por Ravel para o pianista Paul Wittgenstein, que perdeu o braço direito durante a primeira guerra mundial).

Os mais conhecidos concertos para piano

Dos requintados concertos de Mozart até as obras monumentais de Tchaikovsky e Beethoven, alguns concertos para piano são os preferidos do público e de audição obrigatória para quem estuda piano ou gosta de música clássica.

Wolfgang Amadeus Mozart – Concerto n.º 20 em Ré menor, K. 466

Mozart compôs um total de 23 concertos para piano e orquestra, um para dois pianos e outro para três pianos, quantidade que suplanta em muito a produção de qualquer outro compositor. Como exímio pianista, ele mesmo estreou a maioria dos concertos em espetáculos por ele organizados que contribuíam para equilibrar suas finanças. (Parágrafo)

Ao compor para si, naturalmente Mozart colocou neles todo seu conhecimento. A partir do momento em que atingiu a maturidade, depois de compor uma dezena deles, todos os seus concertos para piano são obras-primas da literatura pianística. O Concerto Nº 20 para piano e orquestra em Ré menor, K. 466, estreou no Mehlgrube Casino, em Viena, em fevereiro de 1785.

Ludwig van Beethoven –  Concerto Nº 5 para piano e orquestra em Mi bemol maior, Op. 73 (Imperador)

Esta é, talvez, a maior obra para piano e orquestra já escrita. O último concerto para piano escrito por Beethoven foi dedicado ao Arquiduque Rodolfo, ex-aluno de piano do compositor e seu mecenas. (Parágrafo)

Algumas fontes indicam que teria sido o próprio Rodolfo a estreá-lo, em concerto privado no palácio do príncipe Lobkowitz, em Viena, a 13 de janeiro de 1811. O cognome “Imperador” não foi dado por Beethoven – que o chamou de “Grand Concerto” – mas do editor da obra na Grã-Bretanha, aparentemente inspirado por Napoleão.

Pyotr Tchaikovsky – Concerto Nº 1 para piano e orquestra em Si bemol menor, op. 23

Esta é uma daquelas obras que todos conhecem, mesmo que não saibam qual é. Quando Tchaikovsky a apresentou ao pianista Nikolai Rubinstein, na véspera de Natal de 1874, este rasgou a partitura e apontou muitos pontos que teriam que ser completamente revisados. (Parágrafo)

Rubinstein afirmou que o concerto era imprestável, intocável, desajeitado, incompetente e ordinário, entre outros adjetivos. Afirmou ainda que, se o compositor reformulasse o concerto de acordo com suas orientações, ele faria a honra de tocá-lo em seu concerto. Tchaikovsky não alterou uma única nota e o concerto, que foi estreado por Hans von Bülow em Boston, a 25 de outubro de 1875, tornou-se um dos mais ouvidos e apreciados.

Edvard Grieg – Concerto para piano e orquestra em La menor, op. 16

O maior ícone da música norueguesa, Edward Grieg, só compôs um concerto para piano, em 1868, quando tinha apenas 24 anos, durante uma de suas muitas viagens à Dinamarca, aonde costumava ir em busca de um clima mais ameno. (Parágrafo)

Foi estreado em Copenhagen no ano seguinte, tendo como solista Edmund Neupert – a quem o concerto foi dedicado – sob a regência de Holger Simon Paulli. Liszt, ao ouvir o concerto, teceu-lhe grandes elogios. Várias revisões foram feitas na partitura desde a primeira execução em público, a última delas datando do ano anterior ao de sua morte. Essa última versão é a que comumente se executa.

Robert Schumann –  Concerto para piano e orquestra em Lá Menor, op.54

Finalizado em um período tardio da carreira do Robert Schumann, em 1845, o Concerto para piano e orquestra em Lá Menor, op.54, dedicado a Ferdinand Hiller, é o único do compositor. (Parágrafo)

Foi a sua esposa, Clara, exímia pianista, que estreou o concerto em 1º de janeiro de 1846, na Gewandhaus de Leipzig. Para sua composição, Schumann utilizou como primeiro andamento a reciclagem de uma Fantasia para piano e orquestra que compusera para a esposa 15 anos antes.

Sergei Rachmaninov – Concerto Nº 2 para piano e orquestra em Dó menor, op. 18

Dos quatro concertos para piano e orquestra escritos por Rachmaninov, o segundo é o mais conhecido. Foi composto em 1901, pouco depois do compositor ter-se recuperado de um colapso nervoso ocasionado, em grande parte, pelas fortes críticas que recebeu pelo primeiro concerto para piano, opus 1, e a desastrosa execução de sua primeira sinfonia, op. 13.

Entre 1897 e 1898, Rachmaninov permaneceu em profunda depressão, indo à procura do Dr. Nicolai Dahl, em Moscou. Em janeiro de 1900, o Dr. Dahl iniciou o tratamento diário de Rachmaninov utilizando hipnoterapia e psicoterapia.

Conta a lenda que o compositor confessou ao médico que fizera uma promessa de executar, em Londres, um concerto para piano e orquestra, e que, durante a hipnose, Dahl sugestionava Rachmaninov: “você vai a escrever seu concerto, trabalhará com grande facilidade, seu concerto será uma grande obra”. (Parágrafo)

Se para a hipnose foi utilizado um relógio, não se sabe. No entanto, o concerto se inicia com uma série de acordes intercalados por uma nota grave, oscilando lentamente como um grande pêndulo, e foi dedicado a Dahl.

Frederic Chopin – Concerto Nº 1 para piano e orquestra em Mi menor, op. 11

Os dois concertos para piano e orquestra de Frederic François Chopin são obras de juventude. O concerto nº 1 em Mi menor, opus 11, foi o segundo a ser composto, em 1830, mas sua publicação ocorreu três anos antes do concerto nº 2 em Fá menor, opus 21. (Parágrafo)

Na primeira edição, o concerto foi dedicado ao ilustre pianista Friedrich Kalbrenner, sócio de Pleyel em Paris e um dos primeiros músicos a reconhecer o talento de Chopin na cidade. Em sua estreia, com o compositor ao piano, o concerto foi acolhido com entusiasmo pela crítica e pelo público.

Johannes Brahms – Concerto Nº 2 para piano e orquestra em Si bemol maior, op. 83

Brahms escreveu seu primeiro concerto de piano em 1858. Somente mais de duas décadas depois, ele completou seu segundo e estreou o próprio trabalho em Budapeste, em 1881, após três anos de trabalho sobre a partitura. Extensamente revisado pelo autor, este concerto é, para muitos, a história da paixão não realizada entre o compositor e Clara Schumann, esposa de Robert Schumann.

Maurice Ravel – Concerto para piano e orquestra em Sol maior

O Concerto para piano em Sol maior foi terminado em 1931, e Ravel contava apresentá-lo ao público em março do mesmo ano. Impossibilitado de o fazer por diversos motivos, acabou por entregá-lo à pianista francesa Marguerite Long, que o preparou em três meses. (Parágrafo)

Em 14 de janeiro de 1932, sob a batuta do próprio compositor, que dirigiu a Orchestre Lamoureux na Salle Pleyel em Paris, a obra teve estreia marcada pela recepção entusiástica e calorosa do público. Com forte influência do jazz, o concerto remete à Mozart e Saint-Saëns e faz parte do repertório de todo grande pianista. O destaque é para o segundo movimento, Adagio assai.

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