Na teoria musical, um compasso é a organização dos tempos em grupos regulares, delimitados por barras de compasso.
Categorias dos Compassos
Os compassos podem ser classificados em três grandes categorias:
Compassos Simples: Aqueles cujas subdivisões das pulsações ocorrem de forma binária (divisão por dois).
Compassos Compostos: Nos quais as subdivisões das pulsações ocorrem de forma ternária (divisão por três).
Compassos Irregulares ou Alternados: Caracterizados pela alternância de tempos fortes e fracos de maneira assimétrica, frequentemente encontrados na música folclórica e experimental.
Características dos Compassos Compostos
Os compassos compostos diferem dos compassos simples porque cada tempo é dividido em três partes iguais, em vez de duas.
Essa subdivisão ternária dá ao compasso composto um caráter de maior fluidez e balanço, criando um efeito característico que pode ser encontrado em diversos estilos musicais, desde a música clássica até o rock, o folk e o jazz.
- Nos compassos simples, cada tempo se divide em dois (binário). Exemplo: no compasso 4/4, cada tempo pode ser subdividido em duas colcheias.
- Nos compassos compostos, cada tempo se divide em três (ternário). Exemplo: no compasso 6/8, cada tempo equivale a uma mínima pontuada, que se divide em três colcheias.
Identificação dos compassos compostos
Os compassos compostos são identificados por um numerador específico na fórmula de compasso.
Enquanto os compassos simples possuem numeradores como 2, 3 ou 4 (indicando dois, três ou quatro tempos por compasso), os compostos têm numeradores como 6, 9 e 12, refletindo a subdivisão ternária de cada tempo.
Exemplos comuns de compassos compostos:
- 6/8 – Dois tempos por compasso, cada um dividido em três colcheias.
- 9/8 – Três tempos por compasso, cada um dividido em três colcheias.
- 12/8 – Quatro tempos por compasso, cada um dividido em três colcheias.
Obras com compassos compostos
Muitas composições famosas utilizam compassos compostos para criar efeitos rítmicos distintos.
Gaspard de la Nuit
“Ondine”, da suíte Gaspard de la Nuit, de Maurice Ravel, é um exemplo clássico do uso do compasso composto 6/8. O caráter fluido da peça se deve em grande parte à subdivisão ternária do compasso, que contribui para uma sonoridade mais delicada e expressiva.
Barcarolle
A “Barcarolle, de Frédéric Chopin, é outro exemplo clássico. A barcarola é um estilo musical tradicionalmente associado às canções dos gondoleiros venezianos, e o compasso 6/8 imprime à música um balanço oscilante, imitando o movimento de um barco na água.
We are the Champions
Mas nem só a música de concerto utiliza os compassos compostos. “We Are the Champions”, da banda britânica Queen, emprega um 6/8 marcante, conferindo um ritmo majestoso à canção.
Hallelujah
“Hallelujah”, de Leonard Cohen, regravada por inúmeros artistas, utiliza o 12/8 para criar um andamento solene e expressivo, característico de muitas baladas e músicas gospel.