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Antonietta Rudge

Antonietta Rudge – a extraordinária pianista

Antonietta Rudge

Tenho três grandes paixões na vida: Mozart, Beethoven em sua segunda fase e Antonietta Rudge interpretando os dois.” A Frase de Artur Rubinstein, registrada em suas memórias, dá bem a dimensão do que foi a paulistana que, ao lado de Guiomar Novaes e Magdalena Tagialferro, forma o trio das grandes pianistas brasileiras.

Considerada uma das maiores intérpretes brasileiras de Beethoven e Chopin, Antonietta Rudge nasceu em 13 de junho de 1885, em São Paulo. Iniciou seus estudos musicais com o professor francês Gabriel Giraudon (1834-1906), contratado pela família após demonstrar seu interesse pelo piano já aos quatro anos de idade.

Sua primeira apresentação pública foi aos sete, no salão da Casa Levy de Pianos, na Rua XV de Novembro (então Rua da Imperatriz). Tal foi o sucesso desse recital que o professor Luigi Chiaffarelli (1856-1923), ex-aluno de Busoni, se ofereceu para dar aulas à menina. Chiafarelli foi introdutor em São Paulo de uma escola de interpretação que haveria de revelar outros pianistas de fama internacional, como Guiomar Novaes, Maria Edul Tapajós, Alice Serva, João de Sousa Lima, Francisco Mignone e Menininha Lobo. Foi por meio de Chiaffarelli que Antonietta conheceu e tocou música de câmara com nomes como Camille Saint-Saëns, Pablo Casals e Harold Bauer em suas visitas ao Brasil.

Diz-se que ela tinha um enorme repertório e poderia tocar quase qualquer coisa da memória, incluindo os dois livros do Cravo Bem Temperado de Bach. A leitura de alguns apontamentos editados por Chiaffarelli – chamados “Migalhas”, em que ele documentava os eventos – mostram que entre 1895 e 1897, contando entre 10 e 12 anos de idade, a pianista já dominava Concertos de Mozart e de Beethoven, além de obras de Chopin, Bach e Schumann, e a Rapsódia Húngara No.6, de Liszt, em sua versão original.

Em 1906, Antonietta casou-se com o inglês Charles Miller (1874-1953), o introdutor do futebol no Brasil, que intermediou a carreira internacional da pianista. No ano seguinte, iniciou uma série de concertos bem-sucedidos na Europa, visitando Alemanha, França e Inglaterra. Alguns anos mais tarde, Antonietta retornaria à Europa para uma nova série de concertos.

Apesar do sucesso no exterior, voltou ao Brasil, aclamada como grande intérprete de Chopin e Beethoven. Em 1925, separou-se de Charles Miller e se uniu ao poeta modernista Menotti del Picchia (1892-1988). A partir de então, passou a se dedicar principalmente às atividades pedagógicas, apresentando-se ocasionalmente como pianista. Foi uma das fundadoras do Conservatório Musical de Santos, em 1927, onde lecionaria por mais de 40 anos e orientaria alunos como os compositores José Antonio de Almeida Prado (1943-2010) e Gilberto Mendes (1922-2016).

O Legado de Antonietta Rudge

Antonietta Rudge

Antonietta Rudge deixou poucas gravações, realizadas nas décadas de 1930 e 1940, em álbuns de 78 rotações e em discos de acetato. Em 2000, algumas dessas gravações foram relançadas em CD, no volume dedicado à Antonietta Rudge, da série Grandes Pianistas Brasileiros, pela gravadora Masterclass.

Seu primeiro e único LP, A arte de Antonietta Rudge, foi lançado em 1973, assim mesmo sem sua autorização: foi gravado às escondidas por amigos decididos a perpetuar os números que ela executava em casa, como a Chaconne de Bach-Busoni e Jeux d’eau, de Ravel, além de obras de Henrique Oswald, Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Alexandre Levy.

“Gosto de Antonietta Rudge porque ela toca como uma mulher.” (Artur Rubinstein).

Se as gravações foram raras, o número de obras dedicadas à pianista revela a qualidade e o impacto que causou na época.  Foram dedicadas a ela os “Jogos Pueris”, de Fructuoso Vianna; o “Ponteio No.17”, de Camargo Guarnieri; a “Polonaise Op.34 No.1” e o “Estudo-Scherzo”, de Henrique Oswald; o “Miudinho”, quarto movimento das Bachianas No.4, de Villa-Lobos; o “Estudo para virtuoses No.8”, de Arthur Napoleão e a “Égloga”, de Savino de Benedictis, além de obras de Alberto Nepomuceno, Luiz Levy e Francisco Mignone. Em 1939, realizou a estreia do Concerto em Formas Brasileiras, de Hekel Tavares (1896-1969), sob a regência do autor e com transmissão nacional pela Rádio Cultura.

Sua última apresentação pública aconteceu em 1964, no Teatro Coliseu, em Santos, quando interpretou, com Souza Lima (1898-1982) e Guiomar Novaes (1894-1979), obras para três pianos de Mozart e Bach, além da versão para três pianos de Souza Lima para a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Gottschalk.

Antonietta Rudge morreu no dia 13 de julho de 1974, aos 89 anos, em São Paulo. Em sua homenagem, Almeida Prado compôs a obra In Paradisum, que, segundo ele, retrata a entrada da pianista no paraíso.

A pianista é uma das poucas mulheres homenageadas com uma estátua em São Paulo, por iniciativa de Menotti del Picchia. Inaugurada em dezembro de 1977 na Praça Portugal, a poucos metros da casa onde ela residiu, a obra foi baseada na máscara de Antonietta feita por ele e produzida por Luiz Morrone.

Busto de Antonietta Rudge

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