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Música de Câmara

O que é “música de câmara”?

Você, estudante ou músico, provavelmente já ouviu falar da música de câmara, um termo que pode soar meio estranho na primeira vez que se escuta. No artigo de hoje vamos esclarecer de uma vez por todas o que significa isso. Confira!

Tanto na música erudita quanto na popular, o piano tem seu lugar garantido em muitos gêneros musicais e faz parte de diversas formações instrumentais tradicionais. Desde o trio de jazz até os grandes conjuntos orquestrais, o piano, pelas amplas possibilidades que oferece tanto de execução quanto de tessitura, é elemento de destaque sempre que solicitado.

Uma das características do instrumento é a capacidade de produzir sons muito fortes ou muito suaves – o que deu origem ao nome “Pianoforte” – o que lhe permite desde acompanhar uma voz ou instrumento solista até fazer parte de uma orquestra. Por conta disso, o piano se adapta bem tanto a grandes ambientes, como salas de concerto e teatros, quanto a recintos menores, em que não há espaço para muitos instrumentistas, a chamada música de câmara. O termo se refere à música feita por um pequeno grupo de instrumentos ou vozes que, tradicionalmente, podiam acomodar-se nas câmaras – ou salas – de um palácio.

Desde os menestréis aos alegres encontros de músicos, passando pelas reuniões familiares e pela interação entre professor e aluno, muitas foram as oportunidades, desde a antiguidade, em que pequenos conjuntos instrumentais se reuniram para fazer música.

Por causa de sua natureza íntima, a música de câmara já foi descrita como “a música dos amigos” e, por mais de um século, foi executada principalmente por músicos amadores em suas casas, até que migrou para os palácios e, posteriormente para a sala de concertos. Atualmente, define-se música de câmara como a composta para um grupo reduzido de músicos, não importando em qual ambiente será realizada.

Formações tradicionais da música de câmara

Considera-se música de câmara aquela destinada a um grupo de instrumentistas (nunca a um músico solo). As formações camerísticas, portanto, têm nomes específicos de acordo com a quantidade deles: dois instrumentistas formam um dueto; três, um trio; quatro, um quarteto; cinco, um quinteto; seis, um sexteto; sete, um septeto; oito, um octeto; e nove, um noneto. Com dez ou mais músicos, a formação recebe o nome de “grupo de câmara”. E, a partir de 20 até 40 músicos, “orquestra de câmara”. Formações maiores são consideradas orquestras.

Joseph Haydn é considerado o criador da forma moderna de música de câmara. Em 83 quartetos de cordas, 45 trios de piano e numerosos trios de cordas, duetos e conjuntos de sopro, o compositor estabeleceu o estilo conversacional de composição e a forma geral que dominaria o mundo da música de câmara pelos próximos dois séculos. Se Haydn criou o estilo conversacional de composição, Wolfgang Amadeus Mozart expandiu muito seu vocabulário. Os quartetos de cordas de Mozart são considerados o ápice da arte clássica.

Beethoven fez sua estreia formal como compositor com três os Piano Trios, op. 1, e foi o Septeto, op. 20 – composto para violino, viola, violoncelo, contrabaixo, clarinete, trompa e fagote – que fez dele um dos compositores mais populares da Europa.

Franz Schubert, por sua vez, dedicou boa parte de sua vida à música de câmara, compondo 15 quartetos de cordas, dois trios de piano, trios de cordas, um quinteto com piano conhecido como “A Truta”, um octeto para cordas e sopros e seu famoso quinteto para dois violinos, viola e dois violoncelos.

Desde então, a música de câmara conta com lugar de destaque no repertório de todo grande músico, inclusive pianistas de grande renome, seja em formações com instrumentos de cordas ou sopros ou dois pianos e piano a quatro mãos.

Diferenças na Música de Câmara

A música de câmara é um campo especializado que requer do músico habilidades especiais, tanto musicais quanto sociais, que diferem das necessárias para tocar solo ou para atuar em uma orquestra. Em geral, apesar de muitos cameristas serem excelentes solistas ou músicos de sinfônicas, a abordagem é diferente nos três casos.

Na música de câmara, a proximidade entre os músicos é maior e há troca mais intensa de ideias. Entre as habilidades exigidas, está a compreensão de que ali a música é feita por todos e para todos, sem solistas ou protagonistas, mas em total simbiose de concepções artísticas. O ouvir se faz ainda mais presente, pois a sonoridade do grupo depende de cada integrante equilibrar sua execução à interpretação acordada por todos.

Como a música de câmara é mais intimista e interativa, é comum que grupos se consolidem e permaneçam atuando por muitos anos, batizados com o nome de grandes compositores e intérpretes (como o Alban Berg Quartett), luthiers (Guarneri String Quartet), cidades (Quarteto da Cidade de São Paulo e Dallas Quartet) e um sem número de outras denominações.

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