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Ouvido versus leitura musical

Ouvido versus leitura musical

Ouvido versus leitura musical

É muito comum entre estudantes de piano e aficionados por música a pergunta “preciso mesmo saber ler partituras?”. De fato, é bastante comum a afirmativa de que ler partituras e cifras é essencial para que um pianista seja completo. No caso da atuação profissional, muitos afirmam que aqueles que não se dedicam a esse aspecto estão destinados a perder as melhores oportunidades de trabalho.

Mas também é senso comum que sem um bom ouvido um músico deixa a desejar. E há pianistas que enxergam a música como algo mais artístico, autoral, o que diminui a necessidade de se aprofundar nos estudos.

Para responder à pergunta, portanto, cabem várias análises sobre qual o objetivo do estudante de música e do pianista e de quais ferramentas ela vai precisar para se desenvolver.

A leitura de partituras

A leitura musical é importante em vários aspectos e recomendada para qualquer pianista que queira ser completo. E os motivos para isso são muitos. Um dos principais é o fato de que este é o meio mais apropriado para que os músicos possam se comunicar. É a linguagem própria do som e que permite que pessoas de diferentes locais, como o Brasil e o Afeganistão, por exemplo, consigam compreender e executar melodias um do outro, sem nem mesmo se conhecerem.

“É como se a pessoa estivesse estudando um idioma, aprendendo a ler e escrever. O vocabulário musical tem um linguajar totalmente diferenciado e é possível se comunicar por meio dele com qualquer pessoa, independentemente de nacionalidade. O som tem uma comunicação própria e a forma que ela tem de ser representada é a grafia musical”, explica o pianista Amilton Godoy, que manteve o Zimbo Trio por mais de quatro décadas e começou a estudar música muito cedo, aos nove anos de idade.

Ouvido versus leitura musical

Os pianistas que não se dedicam à leitura realmente podem ter problemas. Uma das maiores desvantagens é o fato de que esse profissional, muitas vezes, é considerado incompleto. Além de não poder se comunicar com outros músicos, também não consegue utilizar livros e, principalmente, tem dificuldades para deixar seu trabalho registrado, passá-lo adiante. “Se a pessoa quer se apossar do que existe de escrito para o piano, para evoluir como músico, precisa ter conhecimento, senão, não vai poder estudar. Se ela pegar um método qualquer, como ela vai saber o que está escrito lá, se não sabe ler?”, diz Godoy.

Outra desvantagem é o fato de essa pessoa não poder ter contato com o trabalho de grandes artistas, principalmente da música erudita, que deixaram suas composições registradas por escrito. Afinal, o que seria da arte pianística sem as partituras de gênios como Beethoven, Chopin ou Liszt?

Consequentemente, o entendimento dos aspectos da música fica comprometido em relação àqueles que não leem.  E quem não lê perde tempo, pois precisa de um bom ouvido e demora muito mais para compreender a música.

O ouvido

Apesar de todas as vantagens que a leitura musical pode trazer, muitos pianistas de renome nunca leram partitura e, mesmo assim, são referências em seus estilos. Esses artistas se desenvolvem, principalmente, pelo ouvido musical. Para gêneros musicais como o erudito, por exemplo, a leitura é imprescindível. Para outros, porém, a situação é inversa. Estilos como o blues ou o jazz são quase que totalmente apartados da teoria, pois estão diretamente ligados ao “feeling” de quem toca.

Antigamente, se utilizava muito mais a leitura, principalmente à primeira vista. Um arranjador, por exemplo, escrevia as partes de todos os instrumentos para uma gravação ou apresentação, e bastava ao músico ler e executar as notas. Mas, atualmente, esse profissional é muito pouco requisitado. O que existe é um produtor, que confia no trabalho do músico e sabe, mais ou menos, qual é o estilo dele. A leitura, nesse caso, não é essencial, porque a música tem muito mais a ver com percepção.

Em alguns momentos, a dependência da leitura pode até mesmo atrapalhar. Uma dessas ocasiões é quando alguém possui um ouvido privilegiado e desenvolvido, mas, quando precisa ler uma partitura, tem que identificar cada nota da pauta e montar acordes, o que acaba por atrasar o processo. Esse é, aliás, o motivo de muitos músicos, que já tocam algum instrumento, terem dificuldades quando começam a ler e insistirem em querer tirar tudo de ouvido. Um dos maiores problemas é a ansiedade, porque ele quer tocar aquilo na hora e não vai conseguir, porque não consegue ler.

Ouvido versus leitura musical

O ideal, portanto, é que o estudante de piano se dedique tanto à leitura musical quanto à percepção, de forma a dominar as ferramentas necessárias para as tarefas específicas a que vai se propor. A leitura musical deve servir como subsídio para angariar conhecimentos e conhecer obras, alavancando seu desenvolvimento, ao passo que o ouvido e a percepção farão que ele domine a estética e a linguagem dos diferentes estilos.



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