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Bill Evans História do Músico

Bill Evans: o mais influente pianista de jazz

Bill Evans História do Músico

Muito já se disse e será dito sobre Bill Evans. E, ainda assim, todos concordam sobre a dificuldade de colocar em palavras a dimensão de sua arte. Evans foi, e continua sendo, o pianista de jazz de maior influência de todos os tempos. Embora ele próprio relutasse em acreditar, revolucionou a maneira de tocar o instrumento e teve contribuição importantíssima para a evolução do estilo. Muitos dividem a história do jazz em “antes” e “depois” de Evans.

Evans costumava dizer que não tinha talento, e que por isso, precisava se esforçar muito para atingir seus objetivos. Quando adulto, estudava, em média, seis horas diárias. Nelas, buscava sempre ler e aprender obras dos mais variados compositores e tinha muita relutância em praticar exercícios técnicos (escalas, arpejos etc.). Ironicamente, tornou-se notório pela técnica apuradíssima e por uma sonoridade absolutamente pessoal.

Segundo ele, resultados involuntários. Dizia que apenas tentava fazer as coisas de sua maneira. Ao interpretar os outros, desenvolveu uma linguagem própria. Os outros, no entanto, ao tentar imitá-lo, perderam a personalidade.

O uso da harmonia impressionista, as interpretações inventivas do repertório tradicional de jazz e as linhas melódicas sincopadas e polirrítmicas que utilizava foram tão marcantes que influenciaram pianistas do porte de Herbie Hancock, Chick Corea e Keith Jarrett, sem falar dos mais recentes Fred Hersch, Esbjörn Svensson, Bill Charlap e Lyle Mays.

A Biografia de William John “Bill” Evans

História do Bill Evans

William John “Bill” Evans nasceu em Plainfield, New Jersey, nos Estados Unidos, em 16 de agosto de 1929. Sua mãe, de origem russa, e seu pai, de origem galesa, eram muito musicais e incentivaram os estudos de música do pequeno Bill logo aos seis anos de idade.

Por conta da enorme quantidade de partituras de música erudita da coleção de sua mãe, o pianista, que adorava lê-las, tornou-se exímio leitor à primeira vista. E muitos dos compositores que estudava, especialmente os do século 20 (como Debussy e Stravinsky), exerceram grande influência sobre ele.

Aos 12 anos, apresentou-se em bandas de blues e boogie-woogie, o que lhe abriu os horizontes para a improvisação. Aprendeu flauta aos 13 anos e também tocava violino. Recebeu uma bolsa na Southeastern Louisiana College, onde se formou em 1950 em piano e pedagogia musical. Apesar de ser advertido por não praticar os exercícios de técnica exigidos pelos professores, Evans executava o repertório erudito com perfeição.

Na faculdade, descobriu a música de Horace Silver, Bud Powell, Nat King Cole e Lennie Tristano, que exerceram mais uma profunda influência em sua formação. Mais tarde, estudou composição na Mannes College of Music.

Após alguns anos de alistamento, em Chicago, decidiu pela carreira de músico de jazz e mudou-se para Nova York. A partir daí, iniciou-se uma nova fase na vida desse que viria a tornar-se o mais brilhante e influente pianista de jazz dos últimos tempos. Evans ganhou fama como sideman em bandas tradicionais e teve a oportunidade de gravar em vários contextos com alguns dos maiores nomes do jazz da época, entre eles George Russell, Charles Mingus, Oliver Nelson e Art Farmer.

Seu álbum de estreia, New Jazz Conceptions, foi lançado em 1956 pela Riverside Records e incluía aquela que se tornaria sua mais conhecida composição, “Waltz for Debbie”. Em 1958, foi integrante do afamado sexteto de Miles Davis, gravando o álbum Kind of Blue (lançado em 1959), o mais vendido da história do jazz. No começo da década de 1960, Evans liderou um trio com o baixista Scott LaFaro e o baterista Paul Motian, um dos mais aclamados trios de jazz de todos os tempos.

Com mais de cinquenta discos gravados como líder, Evans revolucionou não só a maneira de tocar piano, como a maneira de interagir com os outros músicos do grupo. Dentre suas principais características estão a sensibilidade e o grau de nuances de seu toque, a clareza do conteúdo sentimental, a profundidade de sua música e a maneira como rearmonizava e construía os acordes no instrumento. Seu fraseado elegante e suas harmonias sofisticadas indicam influências de Debussy, Ravel e até mesmo Chopin.

Sua personalidade era como sua arte: carregada de sentimentos, mistério e introspecção. Apesar dos constantes elogios e críticas positivas, Evans tinha problemas de autoestima, que o levavam constantemente às drogas. Faleceu em 1980, de insuficiência hepática e hemorragia interna provocadas pelo uso continuado de heroína e cocaína, com apenas 51 anos de idade.

Você já conhecia Bill Evans? Nos conte a sua opinião sobre esse talentoso artista nos comentários. Aqui, no blog, temos uma categoria exclusiva para incríveis pianistas, dê uma conferida!

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