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Johannes Brahms

O romântico Johannes Brahms

Um dos mais destacados compositores do romantismo musical europeu do século 19, o alemão Johannes Brahms foi considerado pelo pianista e professor Hans von Bülow um dos pilares da música clássica, formando, com Bach e Beethoven, o tripé “três Bs”. Grande nome da cultura alemã, Brahms dedicou-se a quase todos os gêneros – exceto ópera e balé – e, para muitos, foi o sucessor de Beethoven, tanto que sua primeira sinfonia recebeu a alcunha de “Décima de Beethoven”.

Brahms foi também um continuador da obra de Schubert, como compositor de lieder (canções), pois escreveu cerca de 200 delas. Além disso, contribuiu para a divulgação da música de Bach, quando ainda não era muito valorizada em Viena.

Historia de Johannes Brahms

A História de Johannes Brahms

Johannes Brahms nasceu em Hamburgo, em 7 de maio de 1833, filho de Johann Jakob Brahms e Johanna Henrika Christiane Nissen Brahms. A mãe era costureira e o pai, apesar de ser contrabaixista da Filarmônica de Hamburgo, ganhava a vida tocando contrabaixo, violino, violoncelo e trompa em bares e tavernas da cidade. Esbanjador e alcoólatra, foi o responsável pelas primeiras aulas de violino e violoncelo de seu filho, que acreditava estar destinado a ser um menino prodígio.

Aos 8 anos, o pequeno Brahms iniciou seus estudos de piano com o professor Otto Friedrich Willibald Cassel e, com apenas dez anos, apresentou-se interpretando composições de Mozart e Beethoven. Cassel, percebendo o talento de seu aluno, o encaminhou a Eduard Marxsen, o melhor professor da cidade, para que estudasse teoria musical, harmonia e composição, além de piano.

Existem relatos controversos de que, pouco tempo depois, já acompanhava o pai tocando piano nos bares e bordéis da zona portuária de Hamburgo. Esse período deixou marcas profundas no jovem músico que chegou a declarar, anos mais tarde, “o que você pode esperar de um homem que teve sua juventude amaldiçoada?”.

Fato é que, em 1847, Brahms se apresentou como pianista em Hamburgo, interpretando a Fantasia de Sigismund Thalberg. Seu primeiro recital completo de piano tinha no repertório uma fuga de Bach, além de obras do próprio Marxsen e de Jacob Rosenhain. Um segundo recital, em abril de 1849, incluía a Sonata Waldstein, de Beethoven, além de uma composição de sua autoria, “Fantasia Sobre Uma Valsa Favorita”, com ótima receptividade da crítica. Sob o pseudônimo G.W. Marks, alguns de seus arranjos e fantasias para piano foram publicados em Hamburgo nesse mesmo ano.

Brahms iniciou de fato sua carreira de compositor aos 17 anos, mas era extremamente crítico em relação à sua produção musical. Centenas de trabalhos foram destruídos por ele antes que apresentasse ao público seu Scherzo em Mi Menor Op. 4 e as Sonatas em Dó Maior (Opus 1) e Fá Menor (Opus 2). Suas composições nesse período incluem música para piano, música de câmara e obras para coral masculino.

Em 1850, Brahms conheceu o violinista húngaro Ede Reményi, a quem acompanhou em vários recitais nos anos seguintes. Essa foi a apresentação de Brahms à música de “estilo cigano”, como as “czardas”, que mais tarde povoaria a base de suas composições mais lucrativas e populares: os dois conjuntos de Danças Húngaras (1869 e 1880). Esse ano também marcou o primeiro contato de Brahms com Robert Schumann: durante a visita de Schumann a Hamburgo naquele ano, amigos persuadiram Brahms a enviar ao já renomado compositor algumas de suas obras, mas o pacote foi devolvido sem ter sido aberto.

Johannes Brahms

Em 1853, Brahms fez uma turnê com Reményi, quando conheceu, em Hanover, o violinista e compositor Joseph Joachim. Brahms tocou algumas de suas composições para piano solo para Joachim e esse foi o início de uma amizade vitalícia. Brahms e Reményi ainda visitaram Weimar, onde Brahms conheceu Franz Liszt, que, impressionado com a qualidade da música de Brahms, executou para seus alunos o Scherzo em Mi Menor Op. 4 à primeira vista.

De Weimar, Brahms partiu para Düsseldorf onde foi finalmente apresentado a Robert Schumann. Depois de escutar algumas das sonatas de Brahms, Schumann tratou de recomendar as obras do jovem compositor aos seus editores e escreveu um famoso artigo na Nova Gazeta Musical, intitulado “Novos Caminhos”, em que declara: “chegou um jovem gênio que é a grande esperança da música alemã”. Lamentavelmente Brahms conseguiu se aproximar de Schumann quando este estava próximo ao colapso mental que iria levá-lo à internação em um asilo.

O jovem compositor foi atraído emocionalmente pela esposa de Schumann, Clara, compositora e pianista 14 anos mais velha do que ele, de quem tornou-se amigo e admirador, acompanhando-a e auxiliando-a durante a enfermidade do marido. Em junho de 1854, Brahms dedicou a Clara seu Op. 9, “Variações sobre um tema de Schumann”.

Depois da morte de Schumann, em 1856, ele e Clara mantiveram uma íntima amizade. Ela continuou a apoiar a carreira de Brahms, programando sua música em seus recitais. Nunca houve evidências de que eles tenham sido amantes, mas até hoje existem inúmeras especulações.

Brahms decidiu se estabelecer e, convidado pela princesa de Lippe-Detmold, assumiu o posto de mestre de capela na pequena cidade, onde ficou por pouco mais de um ano. Após a publicação das “Baladas para Piano Op. 10”, dedicou-se à composição do “Concerto para piano em Ré menor” e escreveu suas duas serenatas (Opus 11 e 16), seus primeiros dois Quartetos de Piano (Op. 25 e Op. 26) e o primeiro movimento do terceiro Quarteto de Piano, publicado apenas em 1875. A estreia do primeiro concerto para piano em Hamburgo, em 22 de janeiro de 1859, com o compositor como solista, foi mal recebida.

Em 1862, mudou-se para Viena e, em 1863, apresentou-se em recital. Com a excelente repercussão, foi convidado a assumir a direção da Viena Sing-Akademie, onde regia o coro e elaborava os programas. Apesar do relativo sucesso que obteve, pediu demissão em um ano, para poder dedicar-se à composição. Em fevereiro de 1865, sua mãe morreu e ele começou a compor sua grande obra coral, “Um Réquiem Alemão – Op. 45”, dos quais seis movimentos foram concluídos em 1866. Estreias dos três primeiros movimentos foram realizadas em Viena, mas o trabalho completo foi apresentado pela primeira vez em Bremen, em 1868, com grande sucesso.

A partir da estreia de “Um Réquiem Alemão”, em 1868, começou a ser reconhecido como grande compositor. Como reflexo disso, em 1872, foi convidado a dirigir a Sociedade dos Amigos da Música, a mais célebre instituição musical vienense, cargo que ocuparia até 1875. Em 1876, estreou sua “Primeira Sinfonia”, ansiosamente aguardada., que o alçou à categoria de grande compositor e sucessor de Beethoven. Em 1882, completou seu “Concerto para piano n º 2, Op. 83”, dedicado ao seu professor Marxsen.

Em 1890, após concluir o Quinteto de Cordas op. 111, Brahms decidiu parar de compor e preparou um testamento, mas, no ano seguinte, encontrou-se com o célebre clarinetista Richard Mülhfeld e, encantado com o instrumento e suas possibilidades, escreveu duas Sonatas para Clarineta e Piano, o Trio para Clarineta, Cello e Piano, e o Quinteto para Clarineta e Cordas, que está entre suas mais importantes peças de música de câmara.

Sua última obra publicada foi o ciclo “Quatro Canções Sérias”, onde praticamente despede-se da vida. Ele dedicou a coletânea a si mesmo, como presente de aniversário, em 1896. Johannes Brahms morreu aos 63 anos, de câncer no fígado, no dia 03 de abril de 1897.

Obra de Johannes Brahms

A obra de Johannes Brahms

Muitos dizem que Brahms dominou, ao lado de Richard Wagner, a música clássica da segunda metade do século 19. Sua afeição pelo período clássico pode ter se refletido na escolha dos gêneros. Preferiu as formas clássicas das sonatas, sinfonias e concertos. Em geral, pode ser visto como o mais clássico dos compositores românticos. Outra grande influência foi a música folclórica. Escreveu adaptações para piano e voz de 144 canções folclóricas alemãs. Suas Danças Húngaras estão entre as mais consagradas composições.

Brahms escreveu diversas grandes obras para orquestra, inclusive quatro sinfonias, dois concertos para piano, um concerto para violino e um duplo concerto para violino e violoncelo. Foi também um prolífico compositor na forma tema e variações. O primeiro conjunto publicado foi o das “Dezesseis Variações sobre um Tema de Schumann”, escritas em 1854, onde já demonstra seu domínio técnico.

Mas foi com as “25 Variações e Fuga sobre um Tema de Handel” que Brahms atingiu o máximo no gênero. Outras obras-primas são os dois grupos de “Variações sobre um Tema de Paganini”, de dificílima execução, e as “Variações sobre um Tema de Haydn”, para dois pianos, que ficariam célebres em sua versão orquestral.

O compositor dedicou grande parte de sua obra ao piano, principalmente na juventude e na velhice. As três sonatas – em Fá Sustenido Maior, Dó Maior e Fá Menor – são obras juvenis, mas já superabundantes em termos temáticos. No campo das formas mais livres, destacam-se na produção pianística de Brahms as “Baladas Op. 10”, os “Intermezzos Op. 117” e as “Klavierstücke” Op. 118 e 119.

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