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Nelson Freire

Nelson Freire, o mais destacado pianista brasileiro

Considerado um dos maiores pianistas do século 20, o brasileiro Nelson Freire está comemorando 70 anos de carreira, e continua assombrando o mundo com sua interpretação majestosa e sua técnica irrepreensível. Saiba mais sobre a vida, a carreira e a obra desse grande pianista.

Nelson Freire Pianista

Mineiro de Boa Esperança, Nelson Freire – considerado um dos principais pianistas brasileiros da atualidade – nasceu em 18 de outubro de 1944, filho do farmacêutico José Freire Silva. Os estudos de piano foram iniciados aos três anos, depois que o garoto surpreendeu a família ao tocar de memória peças que haviam sido executadas pela sua irmã mais velha, Nelma.

De saúde frágil, o pequeno Nelson tinha no piano seu grande amigo. Logo a mãe se prontificou a empreender viagens semanais a Varginha, no Sul de Minas Gerais, para que o filho estudasse com o Maestro Cecílio Fernandes. Depois de apenas doze aulas, o professor o dispensou, aconselhando a família a levá-lo ao Rio de Janeiro, pois não havia mais nada que lhe pudesse ensinar ali.

Em junho de 1950, a família se mudou a cidade fluminense com o único intuito de prover ao futuro pianista uma educação musical de alto nível. Em carta endereçada ao filho, anotada nas páginas do livro de contas da Farmácia Freire Silva, o pai de Nelson assim escreveu: “… rumaremos para o Rio, onde o custo da vida é muitíssimo mais dispendioso e o ambiente meio padrasto em infusões afetivas, mas onde as tuas aptidões poderão desenvolver-se ilimitadamente? …  Cumprindo a nossa obrigação, deslocamo-nos do interior de Minas para a capital da República, com a finalidade primordial de acompanhar-te os passos, porque ainda não prescindias de nossa companhia e de nossa assistência, mas o teu destino, esse nós o colocamos na mão de Deus”.

Chegando ao Rio de Janeiro, o pequeno Nelson Freire passou a estudar com Nise Obino (1918-1995) e, em seguida, com Lúcia Branco (1897-1973), que havia sido aluna de Arthur de Greef (1862-1940), discípulo de Franz Liszt.  Em seu primeiro recital, aos 5 anos de idade, Nelson apresentou a Sonata para piano em Lá maior, K331 de Mozart.

Em 1957, aos 12 anos de idade, Freire foi finalista e sétimo colocado do Primeiro Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro, interpretando o primeiro movimento do Concerto No.5 “Imperador”, de Beethoven para o júri composto por Marguerite Long, Guiomar Novaes e Lili Kraus. Como prêmio por sua participação, Juscelino Kubitschek, Presidente do Brasil na ocasião, ofereceu a ele uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar na Europa.

Em 1959, Freire mudou-se para Viena, para ter aulas com o pianista Bruno Seidlhofer (1905-1982). Antes de partir, realizou seu recital de despedida, no Rio de Janeiro, apresentando a “Sonata Op.110” de Beethoven, os “Estudos em forma de Sonatina” de Lorenzo Fernandez, a “Sonata Op.5” de Brahms, e “Islamey” de Balakirev.

Carreira internacional

Nelson Freire

Em 1964, Nelson Freire venceu o Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, em Lisboa, Portugal, e, em Londres, recebeu as medalhas de ouro Dinu Lipatti e Harriet Cohen. A partir de então, passou a desenvolver brilhante carreira internacional e, a partir de 1959, passou a percorrer os cinco continentes em recitais e concertos.

Único brasileiro incluído no projeto Great Pianists of the XXth Century, uma coleção de 200 CDs lançados pela Phillips, Nelson Freire possui extensa discografia, multipremiada, em seus 70 anos de carreira. Dedicado a Chopin, seu primeiro LP foi gravado quando o pianista tinha apenas 12 anos e inclui o “Scherzo Op.20”, a “Balada Op.52” e o “Estudo Op. No.4, entre outras obras.

Na década de 1960, depois de sua estreia no circuito internacional, gravou álbuns considerados referência em técnica e interpretação pianística, com obras como “Carnaval” de Schumann, “Sonata Op.5” de Brahms, “Sonata” de Liszt e “Sonata Op.58” de Chopin, além de concertos como os de Grieg e Tchaikovsky com a Filarmônica de Munique, sob regência de Rudolf Kempe. Em 1970, lançou a gravação dos “24 Prelúdios” de Chopin, recebendo o prêmio Edison do disco, na Holanda. Em 1973, gravou um disco com obras de Villa-Lobos para a Teldec, incluindo a “Prole do Bebê No.1” e o “Rudepoema”.

Em 1982, lançou com Martha Argerich um afamado LP em que interpreta obras de Rachmaninoff, Lutoslawski e Ravel e, no ano seguinte, gravou as “Bachianas Brasileiras No.3”, de Villa-Lobos, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Isaac Karabtchevsky. Em 1984, a gravação de seu recital no Roy Thomson Hall, em Toronto, foi lançada em disco e recebeu o prêmio de Disque de l´anée pelo Le Monde, França. Ainda na década de 1980, realizou novas gravações com Argerich, incluindo o “Concerto para dois pianos e percussão” de Bartók e o “Carnaval dos Animais” de Saint-Saëns. Desde então, sua relação com a argentina tem se notabilizado, tanto pelos resultados musicais que produz quanto pela amizade que nutrem.

Entre as comendas e distinções recebidas por Nelson Freire, destacam-se as de Cidadão do Rio, Cavaleiro da Ordem do Rio Branco, Medalha Pedro Ernesto, Cavaleiro da Legião de Honra da França, Comandante de Artes e Letras da França, Medalha da Cidade de Paris e da Cidade de Buenos Aires, além dos títulos de doutor honoris causa pela Faculdade de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  O pianista tem sido regularmente convidado como jurado dos principais concursos internacionais de piano, como o Chopin, o Tchaikovsky, o Marguerite Long e o Van Cliburn.

Reservado, avesso a entrevistas e árduo defensor da preservação de sua intimidade, pouco se sabe de sua vida pessoal. Uma pequena amostra da personalidade do indivíduo Nelson Freire pode ser vista no documentário que leva seu nome, de João Moreira Salles, onde revela algumas de suas afinidades musicais e a imensa admiração por Guiomar Novaes.



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