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pianista tocando

As 10 mais difíceis peças para piano

pianista tocando

Ao ver os virtuoses interpretando grandes obras do repertório pianístico, muitos ficam imaginando como é estudar essas músicas até dominá-las ao ponto de poder apresentá-las ao público formado por ouvidos exigentes e conhecedores.

pianista tocando em foto preta e branca

A parte técnica – o movimento das mãos e do corpo e a agilidade dos dedos – geralmente é o que mais fascina quem assiste a concertos e recitais, e, frequentemente, surge a pergunta: quais peças para piano são mais difíceis de tocar?

Embora seja difícil precisar qual a composição mais difícil, seja para piano ou qualquer outro instrumento – pois isso depende das habilidades específicas de cada músico -, sempre se tenta fazer uma relação das obras que exigem mais dos pianistas, seja em termos técnicos ou interpretativos. Algumas fazem parte de todas as listas e, nesses casos, parece haver unanimidade. Outras são menos conhecidas e, talvez por conta disso, menos citadas. De qualquer forma, elaborar esse tipo de lista vale pela curiosidade e para conhecer outras peças do repertório pianístico. Então, segue a nossa relação das prováveis peças para piano mais difíceis:

mão de um pianista tocando

1 – Franz Liszt – La Campanella

As composições de Franz Liszt talvez pudessem preencher a lista toda, mas a unanimidade é a famosa “La Campanella”. O terceiro dos “Seis Grandes Estudos de Paganini” é famoso por ser uma das peças para piano mais difíceis já escritas. As demandas técnicas da peça incluem saltos enormes para a mão direita tocados em um ritmo desconfortavelmente rápido. Esta peça relativamente curta foi composta por Liszt para, de certa forma, imitar o virtuose violinista Nicolo Paganini. Após algumas versões preliminares, o compositor concluiu, em 1851, a versão com a qual o público se familiarizou. A tonalidade de Sol sustenido menor, intimidante à primeira vista, torna algumas passagens um pouco mais fáceis de serem executadas na velocidade indicada, por utilizar teclas pretas.

2 – Milij Balakirev: “Islamey” – Oriental Fantasy

Com pouco mais de oito minutos, “Islamey”, de Balakirev, é um dos melhores exemplos de música verdadeiramente difícil para piano. Trata-se de uma obra inspirada nos triunfos russos em batalhas sobre os antigos reinos turcos. As influências islâmicas tecem a peça na forma de três temas que se transformam em uma demonstração de virtuosismo e beleza empolgantes. Islamey teve um impacto profundo na música solo de piano: Ravel afirmou que seu objetivo ao escrever Gaspard de la Nuit era compor uma peça que fosse “mais difícil que o Islamey de Balakirev”. Alexander Borodin incluiu citações da peça em sua ópera “Príncipe Igor”, e Nikolai Rimsky-Korsakov fez o mesmo em “Scheherazade”. A peça foi arranjada duas vezes para orquestra, por Alfredo Casella, pouco antes da morte de Balakirev, e por Sergei Lyapunov. O trabalho tornou-se popular como peça de bis de muitos músicos.

3 – Maurice Ravel – Gaspard de la Nuit – “Scarbo”

Gaspard de la Nuit (com o subtítulo de Três Poemas para Piano de Aloysius Bertrand) é um conjunto de peças de Maurice Ravel, escrito em 1908. Possui três movimentos, cada um baseado em um poema ou fantasia da coleção Gaspard de la Nuit – Fantaisies à manière de Rembrandt et de Callot, concluída em 1836 por Aloysius Bertrand. A peça é famosa por sua dificuldade, em parte porque Ravel pretendia que o movimento “Scarbo” fosse mais difícil que “Islamey” de Balakirev. E ele conseguiu: a peça é uma das mais desafiadoras já escritas e mostra as travessuras noturnas de um pequeno demônio ou duende, fazendo piruetas, voando dentro e fora da escuridão, desaparecendo e subitamente reaparecendo, com voo irregular, batendo e arranhando as paredes, lançando uma sombra crescente ao luar.

4 – Robert Schumann – Toccata em Dó Maior Op. 7

Schumann acreditava que essa era a peça para piano mais difícil que ele já havia ouvido ou composto. Em uma primeira audição – e em comparação com algumas das obras citadas aqui -, pode-se imaginar que é uma peça relativamente simples, mas a Toccata é implacável e exige muito de qualquer pianista, começando pelos trechos extremamente difíceis que iniciam a obra, um testemunho do próprio virtuosismo de Schumann e talvez a antecipação das complexidades de suas obras sinfônicas posteriores. Escrita na forma de sonata, a Toccata – concluída em 1836 e dedicada a Ludwig Schuncke – é parcialmente baseada na Toccata em Dó Maior de Carl, que Clara Schumann, esposa do compositor, passou grande parte de sua juventude praticando.

5 – Frédéric Chopin – Estudo Op.25, Nº 6

Os estudos de Frédéric Chopin foram o fundamento de um novo sistema técnico de tocar piano, dado como revolucionário na primeira vez em que foi apresentado, incluem algumas das peças para piano mais desafiadoras e evocativas de todo o repertório pianístico. Todos os 27 estudos foram publicados enquanto Chopin vivia. Os 12 estudos da Opus 25 foram compostos em vários momentos entre 1832 e 1836 e publicados em 1837. O de número 6, em Sol sustenido menor, é um estudo técnico com foco em terças trinadas em alta velocidade e, em determinado ponto, ambas as mãos tocam uma escala cromática em terças, técnica bastante difícil de dominar. Este estudo é considerado por alguns pianistas como o mais difícil de todos os compostos pelo polonês.

6 – Franz Liszt – Sonata para piano em si menor, S.178

A Sonata para piano em si menor, S.178, de Franz Liszt é considerada uma das mais importantes e mais difíceis peças da literatura pianística, além de ser uma das obras-chave para o piano do Romantismo. Foi concluída em 1853 e publicada em 1854 com uma dedicatória a Robert Schumann. A Sonata se desenrola em aproximadamente 30 minutos de música ininterrupta. Enquanto os movimentos distintos são reunidos em um só, o trabalho segue por uma forma abrangente de sonata – exposição, desenvolvimento e recapitulação. Liszt compôs efetivamente uma sonata dentro de uma sonata, algo que faz parte da singularidade da obra. Apesar da dificuldade, Liszt foi bastante econômico em seu material temático: a primeira página contém três motivos que fornecem a base para quase tudo o que se segue, com essas ideias sendo transformadas.

7 – Alexander Scriabin – Sonata nº 5, Op. 53

“Um grande poema para piano” foi como Scriabin descreveu sua quinta sonata, composta em aproximadamente uma semana, ao mesmo tempo que seu grande poema para a orquestra “Le Poème de l’extase. Scriabin anunciou que havia concluído sua quinta sonata, afirmando “e considero o melhor dos meus trabalhos para piano”. Essa obra violenta e erótica foi a segunda das sonatas do compositor a ser escrita sem armadura de clave e a primeira a ser escrita em um único movimento, formato que ele manteria pelo resto da vida. A quinta sonata para piano de Scriabin é um desafio técnico para dedos e braços, mas principalmente para a mente, por conta do uso maciço de polirritmia.

8 – Pawel de Schlözer – Estudo Op.1, Nº 2

Os estudos de concerto Op. 1 são as únicas obras conhecidas do pianista polonês Pawel de Schlozer. Alguns historiadores, no entanto, acreditam que Schlözer não compôs esses estudos. A história diz que eles foram escritos por Moritz Moszkowski, que perdeu o manuscrito para Schlözer em um jogo de cartas, que os publicou como seus próprios trabalhos. As semelhanças entre o Étude No. 2 de Schlözer e o 11º dos 15 Études de Virtuosité Op. 72, de Moszkowski, são impressionantes.

9 – Igor Stravinsky – Três Movimentos de Petrouchka

Igor Stravinsky concluiu a partitura completa do balé Petrouchka em maio de 1911. Dez anos depois, o russo compôs Três Movimentos de Petrouchka para piano solo para seu amigo, Arthur Rubinstein, o pianista a quem são dedicados. Stravinsky foi muito explícito ao afirmar que os movimentos não são transcrições e que ele não estava tentando reproduzir o som da orquestra, mas desejava compor uma partitura que seria essencialmente pianística, embora seu material musical fosse retirado diretamente do balé. Stravinsky também queria criar um trabalho que incentivasse os pianistas a tocarem sua música, mas deveria ser aquele em que eles pudessem exibir sua técnica, um objetivo que ele amplamente alcançou. Frequentemente citados como algumas das peças para piano mais difíceis, os Três Movimentos de Petrouchka incluem vários glissandi, tremolos e saltos rápidos que se estendem por duas oitavas e devem ser abordados com cautela.

10 – György Ligeti – Estudo Nº 13

O compositor húngaro György Ligeti compôs um ciclo de 18 estudos para piano solo entre 1985 e 2001, considerados uma das principais realizações criativas de suas últimas décadas e um dos conjuntos mais significativos de estudos de piano do século 20, combinando virtuosos problemas técnicos com conteúdo expressivo. São algumas das obras mais aterradoras do repertório de piano, principalmente por causa do nº 13, chamado de “A Escadaria do Diabo” e dedicado ao pianista Volker Banfield. A peça inteira é uma obra-prima da dinâmica, que se estende do excepcionalmente calmo aos colossais oito fortes.

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