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piano preto em sala de estar

Lives, os saraus modernos

piano preto em sala de estar

Um sarau se caracteriza como um evento musical ou literário que acontece em casas particulares de pessoas que se reúnem com o intuito de promover a integração social e cultural de um determinado grupo. A palavra origina-se do latim “seranus” que significa serão, ou seja, atividade que é realizada durante a noite. Os saraus foram muito populares durante os séculos 19 e 20 por permitirem que criações de jovens autores, sejam eles escritores ou compositores, pudessem ser compartilhadas com esses grupos, tornando-as conhecidos dentro de determinado nicho, até que se popularizassem.

E, para quem pensa que a prática é antiga demais, vale lembrar que o movimento da bossa nova teve início em eventos do tipo, em que jovens se reuniam para ouvir discos, tocar e improvisar, como Tom Jobim, Johnny Alf e muitos outros. E o mesmo pode ser dito da Tropicália e de muitos outros movimentos culturais mais recentes, até mesmo o rap que, embora praticado não em uma casa, mas na rua, é o paralelo mais urbano e desenvolvido da tradição.

Com o avanço da tecnologia e o distanciamento natural das pessoas causado pelo acúmulo de atividades e a urbanização, o hábito de promover reuniões do tipo sofreu uma diminuição enorme, sendo substituído por outras formas de entretenimento, principalmente a televisão. Com a chegada da internet de alta velocidade e a possibilidade de comunicação instantânea com pessoas de qualquer parte do mundo, a troca de informações ganhou mais um incentivo.

Artistas de todo o mundo viram na rede a possibilidade de divulgar seus trabalhos e a expressão “Live” (em português, “ao vivo”) passou a caracterizar as transmissões feitas por meio das redes sociais, de forma simples e ágil, geralmente sem muita produção, limites de tempo de exibição ou de quantidade de espectadores.

Por conta da epidemia que assolou o mundo, quando grande parte da população teve que se recolher às suas residências para evitar o contágio, as “Lives” ganharam novo estímulo, tendo se transformado em opção de entretenimento tanto para quem estava em isolamento quanto para quem não tinha oportunidade de assistir a shows de seus artistas preferidos, assim como palco para artistas apresentarem seus trabalhos, diretamente de suas casas, seja com fins beneficentes ou patrocinados por grandes marcas.

Mas não foram somente os artistas mais populares que dominam a mídia, como os “sertanejos” e os “funkeiros”, que se beneficiaram da novidade. Muitos pianistas aproveitaram a ocasião para apresentar seu trabalho a um público maior, sem limitações de espaço físico, valor de ingresso ou agenda. As lives se tornaram palco tanto para a música popular quanto a chamada erudita, democratizando o acesso a um repertório mais extenso, apresentando propostas inovadoras ou apenas relembrando sucessos.

Entre os músicos que deram atenção à nova forma de concerto virtual estão desde a pianista Clara Sverner, que transmitiu diretamente do sítio em que está recolhida na serra fluminense, a João Carlos Martins, que comemorou seus 80 anos ao vivo, passando por Arthur Moreira Lima e Cristian Budu, entre muitos outros. No campo mais popular, não poderiam ficar de fora Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio, João Donato, Francis Hime e Kiko Continentino, além de André Mehmari.

Para quem sabe aproveitar, as Lives têm se tornado uma ótima opção tanto para quem quer ouvir música de qualidade quanto para quem quer se aproximar do público de forma mais intimista e verdadeira. E quem perdeu essas lives ainda pode assisti-las, pois são gravadas e estão disponíveis nas plataformas digitais.

 

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